Segundona

Caí da cama. Meu horóscopo diz para eu me voltar para o mundo interior. Diz, ainda, que eu cheguei onde cheguei por causa do meu amor e não de coisas materiais. Bem, que eu saiba eu chegeui até aqui de avião. Mas tudo bem.

Só para constar, estou com raiva da lei seca, embora só saia para beber de dois em dois meses. Esse país é assim. A gente fica com raiva até das coisas de que não participa.

Quando eu abri este blogue, o “alhures” era para ser um lugar abstrato. Continua sendo. Quero, porém, abrir uma exceção e dizer que alhures é este lugar:

Shift

Há dois meses, venho lendo livros, revistas e jornais sobre investimentos. De repente, descobri que posso me aposentar aos 45 anos. Fiquei feliz, portanto, e já botei em prática o plano todo. Acontece que, quando me interesso por um assunto novo, fico, por assim dizer, obcecado por aquilo e perco a vontade de fazer outras coisas. Foi assim que me vi, então, subitamente desinteressado de todas as leituras de filosofia que vinha realizando, e agora só fico brincando em sites de carros importados, lanchas, jet skis, vinhos, eletrônicos, casas em Jurerê Internacional, enfim, vida mansa. De repente, fiquei “superficial”. Conheço-me bem para dizer que a coisa vai passar. Mas só em parte, pois, por outro lado, nunca mais serei o mesmo. A partir de agora, sou um cara que gosta de filosofia, mas que quer ser, e será, rico.

Parecem duas coisas inconciliáveis, não? De certa forma, isso combina comigo, já que minha vida tem sido, até aqui, um eterno embate por conciliar o inconciliável, em vários campos, inclusive o das amizades.

Uma das coisas em que acredito cada dia mais é que aquilo que conseguimos construir nesta vida é fruto de nosso esforço, planejamento e inteligência. Não basta professar uma crença religiosa, levar uma vida certinha e temer a Deus. Além disso, sei que muitos vêem com maus olhos o querer bens materiais e bem-estar terreno. Mas ainda não consegui me convencer de que isso está errado a priori, principalmente diante dos conceitos econômicos liberais, que caracterizam a economia como naturalmente distributiva.

Em suma: quero mais é aproveitar a vida, tanto a material quanto a espiritual. O difícil é conciliar as duas! Mas não abro mão dessa conciliação, em detrimento da vida espiritual, como parece querer o Cristianismo. Um dos grandes conflitos que tenho com a religião cristã é a aparência de uma certa imposição da vida monástica a todos os crentes, como se todos tivessem a mesma vocação e a mesma trajetória de vida.

É possível ser rico sem ser pobre de espírito? Por que aprendi que essas duas coisas são quase sinônimos?

Beirutes e baratas

O lanche da noite não deu certo. Pairava no ar uma sensação de que deveríamos comer em casa. Em vez disso, saímos. Comíamos beirutes e uma barata passou ao lado, no chão. O garçon, discretamente, depois de ser avisado por mim, esmagou a bicha e, pasmem, chutou para um canto. Mesmo assim, ficamos. Comi metade do meu beirute, e ela, 3/4 do seu. Foi quando apareceu outro daqueles serezinhos asquerosos, dessa vez em cima da mesa.

Fomos embora.

Na fila do banco

Sinto vergonha ao dizer isso: hoje, pela primeira vez na vida, levei um livro para a fila do banco. Em meu favor, tenho a afirmar que não costumo freqüentar filas de banco, pois resolvo minha vida financeira basicamente pela Internet.

Mas, voltando ao assunto, percebi que o ato de ler enquanto se espera na fila é tão incomum, que as pessoas ficavam me olhando um pouco, o que me deixou um pouco encabulado. Não pretendo, porém, desistir, mesmo porque o tempo passou bastante rapidamente. Aliás, já fiquei feliz só de não ter de ficar olhando aquelas insuportáveis propagandas de seguros e previdência, com pessoas tão sorridentes e lindas - daquele tipo que você nunca vê num banco ao norte do Rio Grande do Sul.

Educação liberal

O Plutarco em francês, comprei-o no oitavo andar do Edifício Maleta, em Belo Horizonte, ao som de George Harrison, desafinado porque vinha de uma fita cassete velha, que um aborrecente riponga escutava enquanto resolvia uns exercícios de uma apostila de pré-vestibular.

Não posso dizer que o salvei do esquecimento (refiro-me ao livro), pois não o usei - leio a tradução inglesa. Mas ao menos a trilha sonora melhorou, já que hoje ele se encontra acomodado em uma prateleira na casa de meu irmão, que não costuma ouvir nada além de música clássica.

Bibliografia atualizada

Aulas 6 a 8 já estão aqui.

Vídeos

Agora tem uma lista de meus vídeos preferidos aí ao lado. Estou só começando. Mais vídeos virão!

Bibliografia atualizada

Aula 5, aqui.

A preguiça, de novo

Como já disse alhures (consegui usar a palavra!), a preguiça é um problema para mim. Uma das preguiças que eu tenho é de colocar aí ao lado todos os livros que estou lendo. Então, estão aqui os outros: Diário de um pároco de aldeia, de Georges Bernanos; Fedão, de Platão; Vidas, de Plutarco (a vida de Numa, Licurgo, Alexandre e César); Da alma, de Aristóteles (com o auxílio da edição da Editora 34, que se chama De anima e traz observações trecho a trecho); e Aristotle for Everybody, de Mortimer Adler.

Nada de carnaval

Porto Alegre passou no meu teste do carnaval ideal. Meu bairro está silencioso como um mosteiro (embora um mosteiro tibetano, cheio de cães Lhasa Apso latindo!). As ruas estão desertas. Pode-se ouvir o som dos pássaros e das folhas das árvores (são muitas, muitas árvores) balançando ao vento. Enfim, estou contente.

Missa tridentina

História Essencial da Filosofia

Atualizaçãozinha de novo…

Vaidade

Como parte de um projeto pessoal de auto-conhecimento, quero deixar aqui uma confissão: acomete-me a vaidade intelectual - em grau leve, se é que isso é desculpa. Quando eu estava na faculdade, levava, para a sala de aula, revistas (Cult, Bravo e revistas acadêmicas [até a Revista da USP, que então, céus!, colecionava]), além de livros, que pegava na biblioteca. É certo que eu lia esses materiais. Em razoável medida, contudo, levava-os para me exibir e “dar exemplo”.

Atualmente, essa minha vaidade se resume basicamente a contar quantos livros leio por ano, e me gabar um pouco.

Em meu favor, tenho a dizer que parei de escrever artigos, por considerar-me desprovido de conhecimentos suficientes para tanto. Cheguei a essa conclusão quando, perto do final de minha curta e precipitada carreira de articulista/ensaísta, comecei a receber pequenas confutações de leitores. Não que estas, em si, fossem muito profundas e preocupantes. É só que, no meio delas, comecei a perceber a presença de conceitos e idéias que eu precisava conhecer e que não conhecia. Os confutantes também não conheciam esses conceitos e essas idéias, embora pensassem que conheciam. Eu me senti, então, um pouco como Sócrates, só que mais ignorante e menos esperançoso quanto à capacidade dos interlocutores. Assim que me fechei em mim mesmo.

Um dia volto.

Meditações alhurianas

Por que Algo existe? Por que não Nada existe? Se existe algo, por que existe aqui, e não alhures?

De tirar o fôlego

Bibliografia atualizada

História Essencial da Filosofia

Aos poucos, pretendo apresentar aqui a bibliografia do curso de “História Essencial da Filosofia”, de Olavo de Carvalho (publicada pela editora É Realizações), fornecida pelo autor nos livretos da coleção. São dezenas de livros fascinantes, cuja indicação de leitura muitas vezes me levou a ansiar pelo lançamento do próximo volume do curso. Infelizmente, a partir da aula 21, a seção “Leituras Sugeridas” foi suprimida. Como o filósofo, em seu programa True Outspeak, não anda sugerindo mais muitas leituras de filosofia, nós seus alunos ficamos, por assim dizer, a ver navios. Muito admiro a luta política do professor Olavo, que dá frutos cada vez mais concretos, ainda que minúsculos diante da avalanche do neocomunismo mundial. Não posso deixar, no entanto, de lamentar que ele não possa se dedicar (ao menos não publicamente) à filosofia “pura”, e que nem mesmo lhe reste tempo para brindar-nos com a indicação de algumas de suas dezenas de leituras anuais no campo da filosofia.

Segue a bibliografia da aula 1:

BRÉHIER, Émile. Historia de la filosofia. Trad. Demetrio Náñez. Buenos Aires: Sudamericana, 1962. 3v. [Há uma edição brasileira esgotada, e a edição espanhola tem um maravilhoso prólogo de Ortega y Gasset, citado por Julián Marías, em sua Biografia de la filosofia e que também pode ser encontrado em Ortega y Gasset, Obras Completas. Tomo VI. Madrid: Taurus, 2006.]

WEIL, Éric. Logique da la philosophie. 2.ed. Paris: Vrin, 1967. [Em italiano: Logica della filosofia. Bologna: Il Mulino, 1997.]

VOEGELIN, Eric. Anamnesis. Gerhart Niemeyer (org.). Columbia: University of Missouri Press, 1978. [Há uma edição mais completa: The collected works of Eric Voegelin, vol. 6. Anamnesis: On the Theory of History and Politics. Columbia: University of Missouri Press, 2002. Nesta edição, porém, faltam dois ensaios que figuram na outra, os quais foram "transferidos" para o volume 12 dos mesmos collected works: "Remembrance of Things Past" e "Reason: The Classic Experience".]

GOLDSCHMIDT, Victor. Temps physique et temps tragique chez Aristote. Paris: Vrin, 1982.

MARÍAS, Julián. Biografia de la filosofia. Madrid: Alianza, 1980. [Há uma edição brasileira esgotada: Biografia da Filosofia e Idéia da Metafísica. São Paulo: Duas Cidades, 1966. (Trad. Diva R. de Toledo Piza).

SOURIAU, Etienne. L’avenir de la philosophie. Paris: Gallimard, 1982.

¿Por que te vas?

Nos videoclips da década de 70, os personagens eram como aqueles dos filmes de David Lynch, só que involuntariamente.

Piles of books

pilha_livros.jpg

A pessoa que não tem mais espaço em casa para os livros, a partir de um certo momento se acostuma com as pilhas e, de certo modo, até se orgulha delas.

Aristóteles em plástico-bolha

polha_bolha.jpg

Quando chega um livro novo aqui em casa, não sou só eu que fico feliz.

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Joaquina é Joaquina

a carne nos persegue

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