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Percebam a desonestidade do Estadão. A manchete diz: “Escola Sem Partido completa 1 ano em cidade do interior paulista e não tem efeito prático”.

O subtítulo já revela, parcialmente, a desonestidade da manchete: “Em Pedreira, primeira cidade a adotar legislação, professor ‘não pode incitar alunos a participar de manifestações’. Prefeito fala em ‘caráter preventivo’ e sindicato vê medida como inócua”

O primeiro parágrafo faz o resto do serviço: “O programa Escola Sem Partido completa um ano este mês em Pedreira, no interior paulista, sem registrar nenhum caso em que a lei tivesse de ser invocada.”

Ou seja, o “não tem efeito prático”, longe de ser um fato, é a OPINIÃO do… sindicato! O FATO é que não houve caso em que a lei (na verdade não é uma lei, mas deixemos este outro erro pra lá) tivesse de ser invocada, logo não parece ter havido abuso por parte dos professores.

A rigor, não há notícia nessa matéria. Até porque o Escola sem Partido só exige que se coloque um cartaz com as “regras” em sala de aula. Logo, não há como auferir efeitos práticos, senão comparando-se o número de casos de abuso antes e depois de pregado o cartaz. Como, antes, não havia registro desses casos, não há como auferir nada.

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Parece que virou modinha posicionar-se contra a iniciativa da Ana Campagnolo, deputada estadual eleita em SC, de pedir aos alunos que denunciem os professores esquerdistas. Afirma-se que isso criará um cenário subjetivista e que, daqui a pouco, alunos ignorantes denunciarão qualquer coisa. A acusação até faz sentido. Ninguém quer denuncismo e o mais importante é melhorar a qualidade do ensino e a formação dos professores. Por outro lado, as coisas que muitos professores andam dizendo em sala de aula são tão escabrosas que eu vejo a iniciativa das denúncias como uma espécie de operação de emergência a ser posta em prática ENQUANTO não se consegue resolver os problemas mais, digamos, estruturais e definitivos. A preocupação de muitos “analistas”, sobretudo na Internet, com a liberdade dos professores me parece muito mais fruto da atual obsessão do brasileiro com uma idéia meio metafísica de “democracia” do que de qualquer outra coisa – o que os leva, aliás, a atribuir à iniciativa da deputada muito mais força e potencial do que possui.

Observação inicial: Chamo de fake news “oficial” aquela publicada pela velha mídia.

Vejamos, em três etapas, como um jornalista mente através do acúmulo de meias-verdades.

Passo 1: Valendo-se da ignorância da crase, típica no Brasil de hoje, o jornalista faz parecer, na chamada, que se trata da esposa (“mulher”) do acusado.

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Passo 2: No título da matéria, já não se fala de “mulher”. Assim, já se vai dissipando a palavra da memória do leitor.

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Passo 3: Apresenta-se, no texto, o “fato” verdadeiro, a saber, que existe uma denúncia feita por uma JORNALISTA, ou seja, uma pessoa que, por sua profissão, já se encaixa numa posição de suspeição com relação ao acusado, já que todos sabem que os jornalistas em geral não gostam dele. Além disso, trata-se de uma acusação sem provas que não o testemunho da própria acusadora, com quem o deputado “teria tido um relacionamento”.

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Compreendem a sutileza da coisa? Você abre o jornal e a notícia fica sempre a três passos de distância. Dois deles servem de isca anunciando meias-verdades e só no último é que vem a verdade, quando vem.

Confesso que até eu me surpreendi com a criatividade intelectual do Caetano. O discurso que ele gaguejou depois do Mano Brown é de uma lógica sui generis. Segundo o cantor, “filósofos que falam palavrão” hipnotizaram e imbecilizaram durante décadas a população brasileira, criando assim uma cultura do cafajeste (foi a “cafajestização” da sociedade). Os brasileiros, então, passaram a crer-se cafajestes e, conseqüentemente, a acreditar que precisam ser representados por um cafajeste na presidência. [Pausa para gargalhadas.]
O raciocínio possui, confesso, uma certa relação com o que aconteceu de fato – uma relação analógica, eu diria; meio que por oposição, meio que por simbologia, meio que por psicologia. Caetano tem, ao menos, o mérito de ter tentado entender “com sua própria cabeça” o que aconteceu, ao contrário dos petistas. Pena que sua cabeça é ruinzinha que só!

Do isentonismo

O isentonismo funciona assim: a pessoa fala um monte de merda forçando a barra para ser lindinha, e então começa a perder seguidores e fica só com seguidores merdinhas. Esses seguidores merdinhas se dividem em isentões como ela e em extremistas da causa oposta à qual ela tende (todo isentão tende a uma causa, geralmente a da minoria quantitativa; por exemplo, o isentão eleitoral de agora tende ao anti-bolsonarismo). Os extremistas da causa oposta (sempre mais insistentes com os isentões, pois querem convertê-los), então, falam merdas fenomenais, até de cunho homicida, e com isso alimentam o isentonismo da pessoa em questão. Ao fim e ao cabo, de tanto alimentar-se de isentonismo, a pessoa acaba virando opositora da causa em relação à qual se pretendia isenta.

Dou o exemplo de uma ex-amiga: era isentona em relação ao Olavo. Foi perdendo seguidores normais e ficando somente com os anti-olavetes e os que nem sabem quem é o Olavo. Os seguidores anti-olavetes lhe foram alimentando de catolicismo farisaico e de anti-olavismo; e os outros, de likes. Ela então começou a falar merda sobre o Olavo, despertando assim uma certa indignação nos poucos seguidores favoráveis ao Olavo que ainda possuía. Estes se manifestaram provocando-lhe mais um pouco o orgulho farisaico e, assim, radicalizando um pouco mais a fala dela. Depois se mandaram. Chegaram então as eleições e, logicamente, entre seus seguidores quase só havia anti-bolsonaristas e isentões. O mesmo processo ocorreu – agora no campo do bolsonarismo/anti-bolsonarismo – e, ao final, ela terminou virando anti-bolsonarista. E seu anti-bolsonarismo é alimentado por prints de bolsonaristas idiotas (do tipo que fala que quer matar petistas), já que os bolsonaristas normais já foram todos embora de seu perfil.

E assim caminha a humanidade isentona: rumo ao extremismo anti-direita – o qual, todos bem sabemos, tende infinitamente ao esquerdismo puro e simples, ainda que sem nunca “tocá-lo”, para usar uma metáfora matemática.

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Depois que entrei para um coro de canto gregoriano, comecei a conhecer um pouco mais da Igreja Católica no Brasil, pelo lado de dentro. Em poucos meses, percebi que o Cristo está lá atrás na lista das prioridades das pessoas envolvidas no dia a dia da Igreja neste país.

O maior dos absurdos que encontrei até agora foi o da chave da igreja. Sim! a chave da igreja, meus amigos. Para você que pensou que o bem mais precioso da Igreja era a hóstia consagrada e transformada no corpo de Cristo, digo-lhe que se enganou. O bem mais precioso é, digamos, todo o resto que está dentro desses recintos horrendos de arquitetura modernista a que hoje chamamos igrejas. Dezenas, centenas desses recintos permanecem fechados quase toda a semana, e até – pasmem – aos domingos, pelo simples fato de que cada um deles tem uma chave que o abre, e esta chave é da responsabilidade de um católico leigo que não se dispõe a ir abrir a igreja para pessoas que queiram celebrar missa lá dentro, mesmo já tendo estas arranjado padre, coro e tudo o mais. O senhorzinho fulano ou a senhorinha sicrana, detentores das chaves do recinto onde Cristo vem nos visitar, têm mais o que fazer no domingo do que abrir uma igreja para um padre! E não podem ceder a chave a ninguém, pois nem as pessoas que se dispõem a celebrar uma missa, as pessoas que ensaiaram por meses seguidos até aprender um pouco da música milenar da Igreja e que formaram um grupo quase somente com o intuito de organizar missas numa capital deste maldito país, não são de confiança e podem roubar algum objeto lá dentro. Portanto, é melhor que a igreja fique fechada.

Não duvidem do que eu estou falando. É verdade. Aconteceu comigo e com mais alguns amigos várias vezes nos últimos meses. E não pensem que é porque a missa que queremos celebrar é tridentina. Essas pessoas não chegam a esse grau de refinamento, de se oporem a uma missa por ser de um tipo ou de outro. Não, meus amigos, nossa igreja está fechada por motivos de segurança, egoísmo, possessividade, essas coisas bem reles, bem chãs, bem miseravelmente diabólicas mesmo.

Lembre-se disso da próxima vez que passar ao lado de uma igreja fechada. Saiba que em algum lugar da cidade deve haver pessoas que estariam celebrando uma missa ali, e em outro lugar há um senhorzinho ou uma senhorinha ocupados demais para temer a Deus. Esta é a nova Igreja, a Igreja Católica Apostólica Fechada.

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