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Terminei de ler Mapa del mundo personal, de Julián Marías.

Não me atrevo a resenhar este livro, embora confesse que deveria fazê-lo e, mais ainda, que isso seria uma espécie de dever para comigo mesmo! Porém, parafraseando o General Washington ao ser incumbido de defender os colonos contra os britânicos, esta é uma tarefa acima de minhas qualificações – a diferença é que ele não foi covarde como eu, e assumiu-a.

Deixo então apenas uma citação:

“El hombre, si es veraz, encuentra que es «poca cosa»; y al mismo tiempo descubre, con asombro y cierto espanto, que es una persona en la que se podría ahondar indefinidamente, más aún, que invita a ello, que lo reclama, y si no se hace se tiene la impresión de estar huyendo de uno mismo.” [p. 204]

Portanto, fujo mais uma vez de mim mesmo!

Uma coisa que me ocorreu quando qualifiquei com estrelas este livro foi que sou incapaz de hierarquizar, senão grosseiramente, os livros em matéria de qualidade. Só consigo dar menos estrelas a um livro quando este é muito nitidamente inferior. Diferenças mais sutis entre um livro e outro me parecem sempre secundárias, como se não justificassem uma mudança de nota. Afinal, se um livro é de leitura indispensável, se tê-lo lido se me afigurou muito melhor do que o não tê-lo, como dar-lhe uma nota menor?

Vejo que o espiritismo cresce na proporção que a Igreja vira um circo aonde o povo vai para palminhas. Isso faz surgir em mim uma necessidade de explicar o fenômeno, ainda que só para mim mesmo.

Parece-me que, para acabar com o espiritismo, basta aquilo que o Olavo disse numa aula: certa vez, participando de uma sessão espírita, ele mentalizou várias falas e o médium as repetiu na mesma hora. Ora, como levar a sério essa gente, se nem sabem o que estão fazendo? Crêem estar falando com os mortos, quando estão na verdade falando com a mente dos outros. Isso, para não dizer coisa pior, pois podem estar falando com espíritos baixos e todo tipo de entidades corruptas. Nesse sentido, um dos maiores aliados de pseudo-religiões como o espiritismo é o ceticismo cientificista, que lhes dá aquela aura de mistério e grandiosidade, quando não passam de macumbismo puro e simples.

Para piorar, os católicos pensam que vão “desmoralizar” o espiritismo simplesmente demonstrando que ele vai contra a doutrina católica; como se os espíritas estivessem se lixando pra isso!

O Brasil é aquele país onde você tem de se inspirar no perenialismo para tentar tornar-se católico de verdade, na escola austríaca para ser semi-distributista, e no liberalismo republicano para ser conservador; já que os nossos católicos são uns beatos insuportáveis, nossos distributistas são simples medievalistas que querem a volta das guildas e nossos conservadores, bem, sobre estes eu me calo, para não criar inimizades.

Padrão de comportamento recorrente: Indivíduo vira aluno do Olavo; indivíduo descobre todos os valores culturais que foram apropriados pela causa da Nova Ordem Mundial; indivíduo conclui que por isso todos esses valores são uma merda absoluta (uma “merda viva”, como dizia o Pedro Nava); indivíduo sai malhando enfaticamente todos esses valores; logo aparecem dezenas de indivíduos atraídos por seu discurso fácil; o tradicionalismo católico (no mau sentido) ganha mais alguns adeptos; indivíduo começa a compartilhar textos ensinando que as mulheres devem usar sempre saia longa e mangas compridas, e que só podem beijar depois do casamento; indivíduo se casa com uma dessas mulheres porque não consegue mesmo arranjar nenhuma que seja mais normal; indivíduo não tem mais de lavar a louça e nem parar de estudar para criar os filhos; indivíduo mistura o lixo orgânico com o reciclável e trata os cães como animais sujos e sarnentos que são; indivíduo compartilha memes com mestres da escolástica e nunca lê literatura, exceto Chesterton e Bernanos. Indivíduo me causa bocejos e eu vou dormir.

Não entendi direito essa cruzadinha besta do tal Antônio Fernando Borges contra o crowdfunding, mesmo depois de ler o ótimo post do Rafael Falcón. Acho lamentável que ele se queime assim. Seu livro “Braz, Quincas e Cia” é muito bom e chegou mesmo a ser elogiado pelo Olavo certa vez, que recomendou a obra e se referiu ao autor como um dos únicos escritores de qualidade que ainda haviam sobrado no Brasil.

Parece que ele, na condição de escritor publicado pela nossa ilustre e cucaninha Cia das Letras, está com medo de perder seu mercado. Isso me leva a supor que as grandes editoras já estejam se incomodando com o surgimento desse tímido mercado conservador no Brasil, que nem quer saber delas. Num país onde ninguém lê, qualquer grupo de três ou quatro mil pessoas já é visto como a galinha dos ovos de ouro pelo mercado editorial, suponho. Mas há ainda uma possibilidade mais cabeluda: a de que a É Realizações, que o publicou mais recentemente, esteja com invejinha da Concreta, fato esse que seria ainda mais tipicamente brasileiro, dado ser mais legitimamente bobo e provinciano.

Para piorar, logo parecem ter pululado as habituais dezenas de xingadores indignados na página do sujeito, que agora está se sentindo um verdadeiro mártir. O acontecimento deu-lhe mesmo a oportunidade de usar um lindo chavão, “vergonha de ser brasileiro”, e de ainda sair-se com aquela velha desculpa de que não se pode dizer o que se pensa neste país. Bem, eu responderia com outro lugar-comum, ou melhor, provérbio: quem fala o que quer ouve o que não quer.

Mas eu tenho vergonha mesmo é desses idiotas que saem xingando e falando merda a torto e a direito no Facebook, queimando o filme da já odiada “direita conservadora”. Já me cansei desses tipos nervozinhos de Internet.

E quer saber? Também acho uma idiotice esse papo de ter vergonha de ser brasileiro. Desde quando nacionalidade é coisa de que se orgulhar ou se envergonhar? Nacionalidade é um fato, nada mais.

Outra coisa: se todas as editoras brasileiras quebrarem e só nos restar o crowdfunding, isso será uma dádiva, uma verdadeira bênção de Deus, já que essas empresas são todas velada ou abertamente esquerdistas, marqueteiras ou ambas as coisas. Além do que publicam péssimas traduções, o que me tem feito gastar rios de dinheiro comprando livros portugueses, já que por lá ainda há tradutores decentes.

Enfim, lamentável, tudo isso.

Idiotiburi

Os reacionários já estão sendo reconhecidos como “tendência dominante”. Na verdade, sempre foram vendidos como tal pelos esquerdistas, já que é da essência do esquerdismo criar espantalhos para depois espancá-los. Mas agora a coisa está mais séria, porque esse pessoal vai literalmente perder o emprego se a sociedade mudar de ideologia. Sinceramente, não creio que isso vá acontecer com a sociedade. Já com os tais empregos, acho até possível, pois os meios de comunicação impressos e massificados andam tão decadentes no Brasil e no mundo, que basta perderem algumas centenas de leitores para falirem de uma vez por todas.

Oremos para que isso aconteça!

P.S. 1: Vide foto em que a autora figura com cara de idiota completa.

P.S. 2: Apostaria uns mil reais em que ela só fez sua pesquizinha sobre a definição de idiota depois de ler o livro do Olavo.

Quando eu digo que a estatística é a coisa mais enganadora que existe, que talvez fosse melhor nem existir, estou falando sério. Todo o mundo se deixa enganar por ela. Aqui em casa, volta e meia, a gente cai em alguma de suas armadilhas, porque ela pega a gente desprevenida. Você está ali jantando descompromissadamente, distraidamente, com a TV ligada, e um joãonalista lança na sua cara aquela bostinha cheirosa, perfumada mesmo, disfarçada de Dolce&Gabbana The One. Você então mistura aquilo com a comida e engole. Quando percebe, já está digerindo e absorvendo.

Ontem mesmo, um desses petistões comentou que o poder de compra do brasileiro é o maior dos últimos 50 anos. Por sorte, tive um insight e pensei: Puta merda! Então o brasileiro tem hoje o mesmo poder de compra que tinha em 1964 (51 anos atrás)? Que desgraça!

A Henriqueta, que estava ao meu lado, já tinha caído na conversa. Não que ela tivesse dado àquilo muita importância, mas a coisa já tinha adentrado seus tímpanos e, sorrateiramente, já se lhe instalava no coração – ou ao menos na mente.

Estatística é assim. O fim da picada. E sem a materialidade do pernilongo, que você poderia ao menos matar com uma daquelas raquetes chinesas miraculosas. É preciso exorcizar a estatística, mandá-la às favas simbolicamente. O que eu deveria fazer é acender uma vela no cantinho-capela aqui de casa, todo dia, pedindo a Deus imunidade. Pensando bem, vou fazer isso já.

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