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“Reações como essa [do paranóico, quando confrontado com argumentos que desafiam suas idéias arraigadas] servem geralmente apenas para repelir pessoas cultas e lógicas, que tendem a evitar os tipos paranóicos. No entanto, o poder da paranóia reside no fato de que seus portadores escravizam facilmente as mentes mais fracas, como por exemplo as pessoas com outros tipos de deficiências psicológicas, as vítimas de indivíduos com doenças de caráter e, em particular, uma grande parte das pessoas jovens.”

(Andrew Lobaczewski, Ponerologia, Posfácio, p. 7 de 21, epub)

Muito interessante esse tema das “vítimas de indivíduos com doenças de caráter”.

Desrealidade

Quando eu estava viajando, vi no avião um carinha rolando a timeline de seu Facebook e posso afirmar sem medo: o brasileiro padrão de classe média vive num universo paralelo ao da política brasileira, e o único contato que ele tem com esta na Internet é via Folha de S. Paulo, G1 e demais portais da grande mídia. É uma coisa triste de ver: fotos e mais fotos de selfies e grupos de amigos, entremeadas de notícias da Folha e afins. Não alimentem muitas esperanças. Na verdade, tenho pensado muito é na falta de sentido do voto direto. De que serve o cidadão votar diretamente em seus governantes, se o único dia em que ele pensa em política é o dia da votação, sendo indireto todo o seu contato ulterior com o assunto? Um camponês medieval devia ter mais noção de quem eram seus governantes do que um cidadão latino-americano médio. Ao menos aquele sofria, enquanto este alegra-se, alegra-se e alegra-se sem parar, sorvendo fotos de praia e baladinhas como quem cheira carreirinhas de cocaína por todos os orifícios possíveis e impossíveis. Sabe quando o brasileiro vai enxergar seu próprio país? No mesmo momento em que os judeus alemães enxergaram sua morte iminente. Ou até depois, quando já estiver sei lá onde – porque me falta o conhecimento teológico necessário para saber onde vai parar o falso-inocente, depois que morre.

O poema recebia o nome de “cantiga” (ou ainda de “canção” e “cantar”) pelo fato de o lirismo medieval associar-se intimamente com a música: a poesia era cantada, ou entoada, e instrumentada. Letra e pauta musical andavam juntas, de molde a formar um corpo único e indissolúvel. Daí se compreender que o texto sozinho, como o temos hoje, apenas oferece uma incompleta e pálida imagem do que seriam as cantigas quando cantadas ao som do instrumento, ou seja, apoiadas na pauta musical.
Todavia, dadas as circunstâncias sociais e culturais em que essa poesia circulava, perderam-se numerosas cantigas bem como a maioria das pautas musicais. Destas, somente restaram sete, pertencentes a Martim Codax, trovador da época de Afonso III (fins do século XIII). Recentemente (1991), Harvey L. Sharrer comunicou a descoberta da notação musical de sete cantigas
de amor de D. Dinis. O acompanhamento musical fazia-se com instrumentos de corda, sopro e percussão (viola, alaúde, flauta, adufe, pandeiro, etc).

Massaud Moisés, em “A literatura portuguesa através dos textos”

Se faltava algum motivo para assinares o Deezer (ou o Spotify), cá o tens já:

http://www.deezer.com/album/6537296

Terminei de ler Aparição, de Vergílio Ferreira. É curioso ver as avaliações do livro no Goodreads. Vão desde de uma única estrela – e uma acusação de excessiva pretensão da parte do autor – até as cinco estrelas, merecidas na minha humilde opinião, mas nem sempre concedidas pelos motivos mais acertados.

É verdade que Vergílio Ferreira afirma lá um seu existencialismo, um ateísmo rude e naturalista, mas o faz de pés no chão, de coração, sinceramente. Admite a possibilidade de estar errado, de até ser quiçá um imbecil, um tolo equivocado. Várias passagens comprovam esse fato, como esta, em que ele começa afirmando uma certeza e termina quase mesmo rechaçando-a:

“Tomás estará além como tu estás aquém de toda a minha angústia. Mas um e outro vos ordenais numa linha de eficácia. Tomás é inverosímil. Tu repugnas-me, pobre tonto – e todavia intrigas-me e quase me perturbas de inquietação, sei lá até se de remorso.”

O nome disso é autenticidade, e é lindo, como linda é a prosa do autor, muito, muito linda.

A preguiça

A preguiça deve ser um dos pecados mais reveladores da existência do demônio. Temos vontade de fazer as coisas, mas sentimos quase que uma força concreta nos prendendo a um sentimento de apatia, a uma condição de luta interior ao mesmo tempo idiota, estática e aflitiva. Ademais, as pessoas não costumam levar a sério o fenômeno, consideram-no uma espécie de besteira, ou seja, algo com que não nos devemos preocupar muito, algo que não deve gerar culpa alguma.

Pois eu digo: é preciso sentir-se culpado pela preguiça que se tem.

Farias Brito

Farias Brito, filósofo brasileiro mencionado pelo Olavo de Carvalho. Todos os livros dele estão em domínio público. Mas brasileiro prefere vender a 100 reais na Estante Virtual do que escanear e disponibilizar na Internet. Aí tem de vir o Estado, de 100 em 100 anos, e lançar um “projeto” milionário (ou seja, com o nosso dinheiro, de qualquer modo) para escanear meia dúzia de livros e colocá-los num site ruim, sem opção de download.

Há uma experiência que eu tive na segunda série e que me marcou profundamente. O evento em si é uma insignificância, mas acho que deve representar algo de importante eticamente, porque eu nunca mais o esqueci.

Estava sentado na minha carteira, quando o menino atrás de mim me deu um cascudo. Então eu virei e reclamei para ele. Devo ter dito algo como: “Porra, cara!” Nisso a professora nos viu e passou um sabão em nós dois. Eu reclamei com ela, dizendo que ele é quem tinha começado. Ela nem me ouviu e mandou nós dois pararmos com isso. Restou-me essa eterna impressão de injustiça na alma.

Parece-me que a “retribuição” (é assim que se chamava o revide antigamente) ficou estigmatizada pela cultura ocidental, provavelmente por causa do cristianismo, que nos ensina a “dar a outra face” em vez de revidar. Mas deve haver algo de justo no revide. No mínimo, ele é bem mais perdoável que a agressão. O direito reconhece isso. Por que a educação – e a sociedade em geral- também não deveriam reconhecer?

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