Eu vi que era bom

O amor da minha vida começou em um dia 2, há seis anos e dez meses. Na verdade começou um pouco antes, talvez uns 10 dias, que foi a primeira vez em que a vi. Tudo era simples naquela época. Parece até uma outra época, mas não é. Não faz tanto tempo assim. É que as cidades grandes demais têm esse defeito: elas não têm inocência. Belo Horizonte, onde nos conhecemos e vivemos até bem pouco tempo, tem inocência. Você se sente em casa em qualquer lugar por onde passa. Aqui em São Paulo é tudo muito grande. Então, depois que viemos para cá, parece que entrei em uma outra época. Aqui é bom, mas é ruim. Lá é ruim, mas é bom. Um dia ainda volto pra lá. Sinto conforto em pensar isso, e ao mesmo tempo tristeza, porque sei que não será igual. Mas também será igual, e isto é bom. Ontem estava lendo o Gênesis. “E Deus viu que isto era bom” aparece escrito várias vezes. Gosto disso. Traz segurança. Talvez seja esse um dos mais belos sentimentos que podemos ter: olhar para algo e ver que é bom. Mas estava falando do amor da minha vida. Agora achei exatamente a melhor maneira de falar sobre ela. Um dia olhei para ela e vi que isto era bom. Participei um pouco da beleza de Deus então. E participo até hoje. Acho que isto se chama amor. Desde então nosso amor é uma luz forte e boa de se olhar. Quando brigamos, olhamos para a luz e fazemos as pazes. Às vezes a luz nos sufoca e precisamos descarregar. Isto se chama erotismo. Às vezes o vazio nos sufoca e precisamos iluminar o grande abismo da vida com a luz boa de se olhar. Então até o vazio fica bom de se olhar. Ele se enche até transbordar de alecrins e de orvalho. O cheiro muito bom nos toma e nos leva para bem longe, onde os dias nascem três vezes e as noites brilham demais. “Que as águas pululem de enxames de seres vivos e que o pássaro voe acima da terra em face do firmamento do céu”. Simplicidade. Felicidade.

Advertisements

“Brasil, um país de todos” ou “Tédio”

Dias de preguiça, tédio e falta de sentido. Começou ontem com a “volta às aulas”. O ser humano é uma coisa boba (posso generalizar? ou será que é só comigo?). Jogaram de novo em cima de mim uma obrigação chata e agora a tarde parece uma era a ser transposta. Fico aqui sentado por 5 mil anos e depois o Sol se põe e ainda não parei de pensar em nada. Será que essa sensação de que a vida não está resolvida vai durar pra sempre? Será que é só uma sensação mesmo?

Acho que nunca resolvi nada. A gente só se diverte das coisas, nunca resolvemos nada. Daqui a 10 anos eu talvez tenha um emprego e tenha independência financeira. Ainda assim não terei resolvido nada. É melhor me acostumar a buscar o inevitável só porque é inevitável.