Alguma coisa pela cabeça

Um dia entrei num blog e li algumas coisas. Quis comentar, então fiquei ali, esperando passar alguma coisa pela cabeça. Não passou nada. Peguei minha cabeça e tirei ela dali. Fui passear um pouco com ela, tomar um arzinho, refrescá-la.

Depois que minha cabeça já estava bem fresquinha, levei-a para assistir a um filminho no cinema. Saí de cabeça quente. Com o tempo, ela foi ficando morna e caiu em apatia. Ficou hibernando mesmo. Legítima cabeça oca, sonhando com cenas sanguinárias e lições muito bonitas. Como as cenas ficaram lá, a cabeça deixou de ser oca e se transformou numa cabeça “cabeça”, assim como um filme europeu parece a um jovenzinho descolado.

Mas, agora, nesse momento, novamente, não passa nada pela minha cabeça.

No dia em que passar, aviso ao achados e perdidos que perderam alguma coisa, que a coisa passou pela minha cabeça e se foi. Não sei onde está, só sei que passou pela minha cabeça.

A coisa pela minha cabeça, se passar, foi. Mas se ficar, é minha. Afinal, achado não é roubado.