Argemiro, O Gato

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Argemiro está comodamente instalado sobre uma apostila de Olavo de Carvalho, An Introduction to Austrian Economics e The Supreme Court Rules. É um gato metido a besta. Nasceu no Shopping Villa-Lobos. Logo no dia de sua aquisição, passou pela Livraria Cultura e entrou em uma sala de exibição do Cinemark. Alimenta-se de conhecimento, sacia a sede bebendo aromatizador de ambiente da L’Occitane, faz bolinhas de caquinha em forma de mônadas de Leibniz e peida jazz. Não obstante, Argemiro é muito simpático. Apesar de ter ataques de raiva quando abro a janela deixando entrar a poluição, O Gato é gente boa. Um dia desses tentou me ditar uma receita de bolo, mas percebi que sua memória não é muito boa. Disse-me que de onde está não consegue ouvir muito bem o programa da Nigella, mas eu não acreditei muito nessa balela. O fato é que O Gato é desmemoriado mesmo, não há como negar. Onde já se viu fazer um bolo de chocolate com apenas três ingredientes?

Argemiro tem arames enxertados em seu corpo, mais ou menos como o Wolverine, só que mais divertido: posso colocá-lo em qualquer posição, desde que não me preocupe em equilibrá-lo de pé. Sua boca manda-me beijinhos, mas isso é coisa de fru-fru, então não dou bola. Dois meses em cima de apostilas de filosofia não lhe fizeram muito bem. Não fossem nossas conversas periódicas sobre amenidades, não sei o que seria do pobre Gato. Quando viajamos, por exemplo, e voltamos, ele está lá imóvel, no mesmo lugar em que o deixamos. Se isso não é loucura, não sei o que é.

Se algum dia ele vier me dizer algo sobre a infinitude das mônadas de Leibniz, juro que corto sua alimentação. Diarréia metafísica também já é demais.