Pós em levitação

Estou fazendo pós-graduação em tudo. Acho que não tem na universidade. Primeiro vem tudo que eu já deveria saber. Depois vem o resto. Pena que muitas coisas estão em inglês (pena não pra mim, mas pra muitos), como estes livros que eu deveria ter lido no lugar de Maquiavel, Hobbes e Rousseau.

Alguns me têm por louco, por querer ler escritos de figuras que levitavam quando rezavam. Outros me têm por louco por admitir que contos da carochinha podem não ser tão carochísticos assim (estão aqui também). Aliás, pausa para comentário: petulância do homem moderno é a de pensar que os milhões de pessoas que tiveram experiências místicas em toda a história da humanidade estavam “viajando”, hipnotizadas por uma “mentalidade” atrasada mítico-religiosa ou auto-sugestionadas por seu próprio inconsciente (coletivo ou não). E nós? Por que não podemos estar tomados por uma mentalidade “atrasada” (as aspas são por motivos óbvios de imperfeição terminológica) quando pensamos que é óbvio que fulano estava mentindo sobre alguns milagres que viu? ou pior: sobre coisas que ele mesmo sentiu e viu. Como já disse Mortimer Adler apoiado na famosa lógica (já ouviram falar?), ajuntar milhares de evidências empíricas não transforma hipótese em verdade, mas apenas em probabilidade. A única coisa que transforma hipótese em verdade é a inteligência. A ciência é impotente diante de uma pessoa que diz que viu. E o inconformismo dos cientistas não diminui esta lamentável impotência, mas apenas alimenta sua criatividade teórica.

Fim da pausa e novo comentário inconveniente: sinto um sentimento de tristeza egoísta e felicidade altruísta quando um blogueiro começa a escrever menos. Isto quer dizer que eu vou ser privado de seus bons escritos, mas também significa que ele tem mais o que fazer do que ficar repassando o pouquíssimo conhecimento que tem sobre todas as coisas e decidiu que é melhor desligar o computador e ler uns livros.

Ou não. Eu, por exemplo, estou escrevendo menos porque comprei uns CDs da Britney e do Timberlake e estou achando-os o bicho! Escutá-los-ei por toda uma eternidade e levitarei em direção ao motor imóvel, levando comigo a Dorotéia e o Argemiro. Todos estão convidados, bastando que tragam suas Bíblias (em PDF não vale) e seu ódio-amor-indiferença por Olavo de Carvalho. Seremos todos felizes juntos, principalmente devido ao fim da exclusão social.

Ou não.

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