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Archive for May, 2004

Ah, a escola…

Dickens traduzido por José Paulo Paes (aquele marxista-concretista safado!) é melhor que tudo que eu li no colégio, menos Memórias Póstumas de Brás Cubas.

E pensar que, na literatura inglesa, Dickens era só um Jorge Amado!

Êta lugarzinho “atrasado”, esse Brasilzão. (As aspas são porque eu não sou progressista!)

Tenho uma solução para o ensino básico e médio. Troquemos “O Cortiço” pelo “Germinal” de Zola; “A Moreninha” por “Mulheres Apaixonadas” de D.H. Lawrence; “Macunaíma” por “Retrato do Artista Quando Jovem”. E assim por diante! Rá. Recuso-me a falar de “Iracema” e “O Guarani”. Esses não dá nem pra trocar por nada.

Lição: literatura estrangeira, mesmo traduzida, ainda é melhor que brasileira. E não falo só do conteúdo não. Até a forma ainda fica melhor.

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Domingo passado fui pela primeira vez ao Memorial da América Latina. Terminei de ver as peças da Bienal de Design Gráfico e perguntei ao funcionário onde era o banheiro. “Lá”, disse ele, apontando para fora do pequeno prédio circular. Depois de andar uns 300 metros por um enorme chão de concreto velho e manchado, o sol cascando na careca, cheguei a um recinto que os funcionários públicos costumam chamar de banheiro: um conjunto de vasos sanitários encardidos e ensopados de mijo, dispostos sobre um chão de granilito (por que sempre granilito?) imundo. Nada de papel, obviamente, nem sabonete nem toalha nem trancas nas portas nem nada, apenas sujeira e um cheiro forte, acre, de mijo (agradeci aos céus que por ali não tinha passado nenhum ser necessitado de coisas mais, digamos, sólidas).

Voltei e fomos procurar algo para comer. Nada havia, além de barraquinhas azuis de rua, onde se vendiam isoporzitos da Elma Chips e otras cositas ainda menos recomendáveis.

Por todo o lugar, não havia propriamente um lugar (estou acostumado com isso, pois nasci e cresci em Brasília, o maior não-lugar que conheço). Entre os prédios, que não passam de prismas de formas geométricas básicas (círculos, quadrados, retângulos, cones etc), muito, muito espaço vazio, o chão coberto por placas de concreto muito velhas e manchadas.

Uma maravilhosa reprodução escultórica de uma mão ensangüentada dava o propósito do lugar. A seu pé, estava escrito: “O sentimento da unidade latino-americana é o limiar de um novo tempo. O esforço de organização para eliminar a opressão dos poderosos e constru[ir] um destino maior e mais justo é o compromisso solene de todos nós”. Note que tive de reconstruir um fragmento, como os primeiros filólogos fizeram com os escritos de Platão, de Aristóteles e dos pré-socráticos!

Minha mulher observou que um memorial da América Latrina não podia ser mais coerente: nada de comida boa, nada de banheiro limpo, paisagem desoladora e decadente, jovenzinhos descolados por toda parte.

E eu completei: anti-imperialismo neurótico.

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Shh! Silêncio!

Quando os ônibus pararem de acelerar e o vizinho de cima parar de fazer barulho, prometo nunca mais ser mal com ninguém. Serei como Pluto antes de entrar em seu carro, naquele desenho famoso: desviarei das formigas para não matá-las.

– Busco o silêncio como ideal. Imagine prédios em que, entre um andar e outro, haja duas lajes com meio metro de vão entre elas! – disse eu.

– Rá. Impossível.Aliás, se procuras o silêncio como ideal, que fazes aqui nesta cidade? – respondeu o profetinha.

– É que também procuro fugir do provincianismo.

– Minha nossa! Custa-me crer que ainda não sabes que o provincianismo é o irmão do silêncio e da tranqüilidade.

Então continuo sonhando com condomínios fictícios. Um dos que imaginei tem uma cascata de geléia de mirtilos silvestres, ao lado de uma piscina aquecida a 35 graus, rodeada de passarinhos cujo canto lembra o miado de um gato. Os passarinhos só cantam quando você quer. Ao fundo, quadras de tênis e gente legal com quem jogar. Flores perfumam todo o local e esbanjam suas cores fortes de todos os matizes que interessam. Enquanto não for morar lá, serei um desgraçado nesta vida.

– Humpf! – disse o profetinha.

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Putz

Hoje recebi uma mensagem de e-mail cujo título era: “Teste: favor ignorar”. E, logo depois, recebi uma outra mensagem de um sujeito que desconheço, cujo título era “Re: Teste: favor ignorar”. No corpo da mensagem, estava estampada, além de sua burrice aguda, a seguinte frase: “OK!”

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Post nenhum

Queria escrever que não estou tendo inspiração para escrever, mas isso seria não só uma contradição em termos, como também uma traição aos meus princípios. Então vou apenas escrever mais um post e deixá-los em paz. Aliás, essa mania de falar diretamente com os leitores também é deveras vulgar, não é mesmo?

O post que eu queria escrever é este:

Mas não consegui.

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