Shh! Silêncio!

Quando os ônibus pararem de acelerar e o vizinho de cima parar de fazer barulho, prometo nunca mais ser mal com ninguém. Serei como Pluto antes de entrar em seu carro, naquele desenho famoso: desviarei das formigas para não matá-las.

– Busco o silêncio como ideal. Imagine prédios em que, entre um andar e outro, haja duas lajes com meio metro de vão entre elas! – disse eu.

– Rá. Impossível.Aliás, se procuras o silêncio como ideal, que fazes aqui nesta cidade? – respondeu o profetinha.

– É que também procuro fugir do provincianismo.

– Minha nossa! Custa-me crer que ainda não sabes que o provincianismo é o irmão do silêncio e da tranqüilidade.

Então continuo sonhando com condomínios fictícios. Um dos que imaginei tem uma cascata de geléia de mirtilos silvestres, ao lado de uma piscina aquecida a 35 graus, rodeada de passarinhos cujo canto lembra o miado de um gato. Os passarinhos só cantam quando você quer. Ao fundo, quadras de tênis e gente legal com quem jogar. Flores perfumam todo o local e esbanjam suas cores fortes de todos os matizes que interessam. Enquanto não for morar lá, serei um desgraçado nesta vida.

– Humpf! – disse o profetinha.

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