Super Tição

Chesterton, sobre a circularidade dos argumentos dos idiotas contra a religião:

“Se eu disser ‘Os documentos medievais atestam certos milagres como atestam certas batalhas’, responder-me-ão ‘que os homens da Idade Média eram supersticiosos’; mas, se eu perguntar por que é que esses homens eram supersticiosos, a última resposta será ‘porque acreditavam em milagres’. Se eu disser que um camponês viu um fantasma, não faltará quem me diga que os camponeses são muito crédulos; mas, se eu quiser saber a razão por que os camponeses são crédulos, a única resposta será que eles são crédulos por acreditarem em fantasmas”.

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Jildo (e um devaneio final não necessariamente relacionado)

Lá, na mais alta altura imaginável, na janela sem vidros, morrendo de frio e querendo chegar a algum lugar, como um átomo idiota concebido por algum cientista mecanicista idiota, está Jildo, o cocozinho de pelúcia. Ele quer cair na cabeça de alguém, mas a altura é tamanha que o mais provável é que se desintegre antes de chegar, como um cocozinho-meteorito que penetrasse a atmosfera de algum exótico planeta gelado ou não.

(…)

Quando Jildo encontrar um rumo nesta vida, não será para baixo, isto é certo. Será para cima, onde as constelações brilham tão ilustres à noite e somem de dia e o Sol cega os olhos e seca os cocozinhos na calçada. Mas Jildo não há de perecer, porque Jildo é de pelúcia! E encontrará os mais altos cumes e conhecerá as mais respeitáveis figuras imagináveis, os mais belos lugares concebíveis e transcenderá seus mais compridos sonhos, seus mais líquidos limites e suas mais inodoras impossibilidades.

Argh?

Many a turd have tried, but none has reached the Highlands. For their fate is to fall.

Será Jildo o primeiro?

(…).

Amanhã será o primeiro dia depois de hoje, mas eu estarei pensando em 15 anos atrás. E será como nunca.

Será o nunca algo que ainda não aconteceu e não acontecerá? Ou será algo que já aconteceu e não voltará a acontecer? Ah, não… este é o nunca mais.

Extended

Um amigo me gravou um CD (esta é uma nova forma gramatical, muderna, que significa, “gravou um CD para mim”). 10 horas de músicas “extended”. Conhecem? Todas as pérolas dos anos 70, 80 e 90, tipo Antena 1 FM (as mais lentas) ou festa gay gótica nostálgica (Pet Shop Boys, New Order e muitas outras cositas más.

Já escutei umas 8 horas. Agora estou em “So Hard”, do Pet Shop Boys. É ruim mas é bom! Muito bom! Ah, e antes que alguém me pergunte, eu NÃO sei se o título é ambíguo, viu?!! E nem quero saber, seus viadinhos!

Ontem estava eu escutando “It’s a sin” (a playlist está em ordem alfabética!) e comecei a levitar, como São Tomás de Aquino enquanto rezava. Hmmm? É que meu nível de consciência espiritual é, digamos, reles.

Tudo bem, vou confessar. Não levitei. Mas aqui em SP está tão frio que eu juntei umas roupas, fiz várias camadas e as vesti. Virei um palimpsesto ambulante. Contei, e deu 7 peças. Eu estava vestindo sete peças de roupa e ainda tive que me enfiar embaixo de um cobertor para assistir a “A Vida de David Gale”, com Kevin Spacey. Meia-boca, o filme, mas gostei de um diálogo (David Gale, o personagem, é um professor de filosofia acusado injustamente de estupro por uma aluna, que depois retirou a queixa):

– Seu currículo é perfeito, mas não podemos contratá-lo.

– Por quê?

– Porque você não é mais politicamente correto, John. Bem-vindo ao clube!

Eu+sete peças de roupa+cobertor+filme meia boca = EU (extended)

Essa é a idéia de um extended, entenderam?

Agora, com licença, que vou ouvir A-Ha.