Trocadilhologia

Creio ter descoberto o segredo da semiótica, ou melhor, em que consiste essa espécie de ser humano, o semiótico. O semiótico é o sujeito que, certo dia, ao vislumbrar nas palavras aquela curiosa característica de serem passíveis de formar trocadilhos, viu nisso um grande ímpeto metafísico por parte de um deus chamado Nada. E resolveu (o sujeito, não o deus) então dedicar toda a sua vida a explorar todos os aspectos possíveis desse fenômeno, o trocadilho, também conhecido como problemática polissêmica e mil outros qualificativos cool em universitês. Pode-se fazer isso teoricamente ou, na prática, através da produção de textinhos que trocam o sentido das palavras ou brincam com eles, como os poeminhas de Arnaldo Antunes e os videozinhos descolados de mil videomakers. Segundo uma antiga música do Cassseta & Planeta, “eu faço vídeo… vagabundo é a puta que o pariu!”

É claro que, se você disser tudo isso a um deles, ele dirá que não é assim, que trocadilho é uma maneira simplista e até ridícula de descrever a polissemia e o caráter eminentemente convencional das palavras, bem como sua incapacidade para descrever “o real”. But, you know, that’s the point!. Se eles não dissessem isso, não seriam cientistas, mas apenas versões mais sofisticadas daquele seu avô do interior, que gostava de proferir trocadilhos infames quando faltava assunto.

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