Mulher!

O passado imaginário da humanidade, que se assenta na cabecinha do xerox genérico de ser humano com quem eu converso diariamente, está povoado de homens maus que batem em mulheres. Não havia nenhum homem bom na face da Terra antes de 1968. Talvez houvesse algum sujeito extremamente bondoso e compreensível a ponto de não bater em sua esposa, de não oprimí-la, mas este indivíduo quase lendário, de quem ouvimos falar em contos de fadas feministas, não passa da famosa ECR (Exceção que Confirma a Regra). Em geral, os homens pré-revolução-feminista são uns monstros insensíveis, opressores, que viviam no bem-bom, enquanto suas pobres esposas se matavam de trabalhar para garantir-lhes as mordomias. A condição da mulher, desde tempos imemoráveis, era absurda, medieval (sim, agora essa palavra é um adjetivo). Ser homem sempre foi uma maravilha. Ser mulher, uma porcaria. E o MMM (Maravilhoso Mundo Moderno) livrou a mulher de sua opressão.

Mas, falo eu de homens bons? Que mancada? A mulher que dependia de um homem bom para ser feliz já era, a rigor, uma coitada. Os homens, sempre independentes, eram felizes, sempre foram felizes à revelia de qualquer coisa. Já as mulheres, não. Dependiam da sorte. Se tivessem a sorte de lhes cruzar o caminho um bom homem, então eram felizes. Senão, não.

Tudo o que uma mulher fizesse para atormentar um homem, até 1968, era compreensível a partir de sua situação de oprimida. Pensando bem, ainda é assim. E sempre vai ser?

E hoje? Bem, hoje a maravilha de nossa sorte, a felicidade absoluta da mulher e do homem é o isolamento. Posso chamar de libertação insular. Para ser livre, o indivíduo vira uma ilha, faz com que sua felicidade não dependa de ninguém. O homem não oprime a mulher, porque a mulher agora é um objeto frenético solto no ar, empapuçado de graxa para escorregar pelas mãos opressoras. Mas, as mãos que oprimem são as mesmas que dão carinho. Não é assim que funciona em ambas as direções? O que escapa à opressão também escapa ao afeto, pois ambas as coisas têm a ver com a entrega, a submissão. Pra piorar, a opressão encontra seus caminhos alternativos. Na verdade, se fortalece, pois agora é de mão dupla. Mais um poder se instalou na morada do ser humano. Mulher agora pode ser homem, e vice-versa. A opressão agora é de mão dupla. Se antes a mulher na sociedade era Jesus na Terra (embora custe-me crer que assim fosse de fato), que só padece e não revida, agora não mais.

Batam palmas, pois mais um diabinho nasceu! Mulher, bem-vinda ao campo de batalha. Pegue o escudo, a lança e vista a armadura. No final, se sobrar um tempinho, ainda pode passar um perfuminho, mas bem pouco, viu?

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