O chá e o motoboy

Lá de longe vem o som de um motoboy subindo a Teodoro. A encomenda-relâmpago em forma de homem-biciclo não rompe a barreira do som nem que a vaca tussa. Prefere passar por dentro do meu chá, qual trovão, tufão, mensageiro da pressa do mundo, arauto das barulhentas notícias nem boas nem ruins, e continuar seu caminho resoluto, sem escalas, conexões, sinais vermelhos, até sumir no infinito da décima esquina de cima. Já já vem outro. Melhor terminar logo meu chá.

Advertisements

Trecho de um e-mail a um amigo

Já leste “Lições de Abismo”, do Corção? Acabo de terminá-lo e estou em êxtase. Minha outra leitura – “The history of Rasselas”, de Samuel Johnson – também está me deixando fascinado. A cada dia que passa, encontro a qualidade literária em pessoas mais e mais “antigas” (tanto literal como metaforicamente!). Acho que o melhor a se fazer é passar a vida lendo o que se escreveu antes do século XX. E do século XX aproveitam-se os escritos daqueles que fizeram isso, ou seja, passaram a vida a ler o que se produziu antes do século XX.