Treinação

Eu sinto isso: escrever num blog é treinação: treinar pra nada. Nem conto, nem artigo, nem ensaio, nem romance, nem poema. Nada. E ao mesmo tempo, alguma coisa. A única solução por hora encontrada é lançar em livro uma coletânea de posts. Da falta de um gênero façamos um novo? Fulano de Tal nasceu em 1975, na cidade de Brasília, e destacou-se por ter escrito as seguintes antologias de posts: “01/01/2002 a 01/12/2002” (2002), “01/01/2003 a 01/12/2003” (2003), “01/01/2004 a 01/12/2004” (2004) (…) Morreu em 12 de outubro de 20**, tendo ganhado o Prêmio Nobel de Blogoratura em 2030, o prêmio Jabuti da Blogosfera em 2040 (…).

Hmm. Sei não. Divertido é. Mas uma voz interior (Jurandir? Mestre Ioda?) continua me dizendo:

– Fuééé!

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Rumores de Algures

O que é isto que ouço? Um gemido vindo do outro lado do universo? Jurandir a bradar absurdidades sobre o vazio da existência? Uma ambulância lancinante e próxima como o dia de amanhã, incomodando mil seres para dar auxílio a um?

Neste mundo nada encontro que aplaque a aflição momentânea, nem mesmo no virtual ambiente conectado. Confiro os e-mails: spams, forwards e um “Srs. Condôminos…” Ninguém se comunica, em suma; só arranhões, arremedos de troca. O outro se esconde enquanto se mostra.

Mas o que é isto que ouço? Sim! É Jurandir, definitivamente. O ET errante, caixeiro imaginário, vendedor de enciclopédias cósmico a visitar outros mundos e fundos, manda-me um sinal lá bem de longe, um signo de que algo existe para além da minha substância. O sinal diz assim, ó:

– Fuééé!