Jurandir, o ET de Varginha (devaneios sobre uma piada ruim)

No meio das cercas endinheiradas que separam quintais, assentou a sombra sonora de um disco voador. Foi mais ou menos assim. Jurandir pousou no dia 20 de setembro de 1998, em Varginha, MG. O disco pifou e desceu dos céus, fumaça saía do capô, água espirrava, cheiro de carburador, aquelas coisas. Tinha que consertar, só não sabia como. E pousou assim mesmo.

Sem muito barulho, discretamente, os pés da vácuonave tocaram a grama, esmagando umas duas ou três formigas. Naquele exato momento, algumas dezenas de milhares de micróbios inéditos alcançaram o chão da fazenda do Dotô asterisco-asterisco-asterisco, enturmando-se rapidamente com o ecossistema local. Do outro lado da galáxia, etêzinhos enfezados perdiam contato com Jurandir – liberdade?

As vacas viram quando aquele ser verde apareceu do outro lado da porta, os grandes olhos sem pálpebras, pretos, qual bolas de gude gigantes e de propósito diverso. Não obstante, continuaram a pastar indiferentes.

As bolas de gude olharam em volta e nada viram, além, é claro, das supracitadas vacas. Jurandir então foi ter com elas. Tentou estabelecer relação com elas, inutilmente. Então prosseguiu sua jornada, não sem antes trancar o disco – “sou ET, mas não sou mané”, podia-se adivinhar em seus pensamentos. A caminho da cidade, Jura encontrou uma bananeira e colheu dela uma banana. Oh, não diga! Sim. Uma banana. E sem saber o que fazer com aquele objeto, meteu-o no ouvido. Lá chegando, em Varginha, subiu num ônibus e pôs-se a mendigar ajuda: “Eeeu não tenho o que comê, eeeu não tenho que bebê, eeeu não tenho onde durmí, eeeu queria pedir uma ajudinha pra consertá o disco voadô que estragô, se ocêis puderem me ajudar, qualquer coisa serve!” Lá de trás, a voz: “Vai trabalhar, vagabundo!” Jurandir então disse “Hã? Dá pra falar mais alto? que eu estou com uma banana no ouvido”.

*****

Ó Jurandir, estranho verde dos campos mineiros, grande homem-orelhas das negras órbitas oculares, teus problemas tão mesquinhos não chegaram a comover nem mesmo um passageiro de ônibus. Ó Jurandir, que será de ti agora? Como galgarás os céus, rumo ao azul-depois-preto vazio que abriga os volumes?

Um dia te encontrarei, ó Jura! e então serei teu guia. Por entre oficinas sujas de fuligem, abriremos nosso caminho cósmico e alcançaremos altitudes tão elevadas que nem serão mais qualificadas como altura, ou qualquer outro tipo de especificação espacial, reles adjetivação dependente de referenciais terrestres. Não! Seremos pós-espaciais, pós-aéreos, pós-modernos, pós-de-arroz no meio desta e de muitas outras galáxias. As estrelas serão paisagem para tuas bolas de gude e em algum dos planetas exóticos que encontraremos construirei uma casa e constituirei família, despedindo-me de ti após anos-luz de errância alegre. Da varanda limpa, sentado na rede, verei teu disco ao longe sumir, não mais que um ponto e depois nada, e beijarei minha amada ao som dos rouxinóis-de-plutão-3 e das galinhas d’ômega. Consolar-me-ei da tua ausência com a fragrância doce dos jasmins-da-Terra, única reminiscência concreta de meu planeta-natal, triste saudade que guardarei no fundo de minh’alma, como quem guarda uma lágrima congelada e descongelada no microondas. Todos os dias, ó Jura, rezarei para ti mil padres nossos e mil ave marias, ao som de cascatas amarelas e de ovos de codorna-y a se quebrarem na relva. E a lembrança da Terra será menos que fuligem, menos que oficina, menos que vacas indiferentes a pastar micróbios inéditos.

A lembrança da Terra será um sol, um céu azul e milhares de corpos andando pra lá e pra cá, em busca de motivos.

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Trocadilhologia

Creio ter descoberto o segredo da semiótica, ou melhor, em que consiste essa espécie de ser humano, o semiótico. O semiótico é o sujeito que, certo dia, ao vislumbrar nas palavras aquela curiosa característica de serem passíveis de formar trocadilhos, viu nisso um grande ímpeto metafísico por parte de um deus chamado Nada. E resolveu (o sujeito, não o deus) então dedicar toda a sua vida a explorar todos os aspectos possíveis desse fenômeno, o trocadilho, também conhecido como problemática polissêmica e mil outros qualificativos cool em universitês. Pode-se fazer isso teoricamente ou, na prática, através da produção de textinhos que trocam o sentido das palavras ou brincam com eles, como os poeminhas de Arnaldo Antunes e os videozinhos descolados de mil videomakers. Segundo uma antiga música do Cassseta & Planeta, “eu faço vídeo… vagabundo é a puta que o pariu!”

É claro que, se você disser tudo isso a um deles, ele dirá que não é assim, que trocadilho é uma maneira simplista e até ridícula de descrever a polissemia e o caráter eminentemente convencional das palavras, bem como sua incapacidade para descrever “o real”. But, you know, that’s the point!. Se eles não dissessem isso, não seriam cientistas, mas apenas versões mais sofisticadas daquele seu avô do interior, que gostava de proferir trocadilhos infames quando faltava assunto.

E agora?

Sabe o que eu aprendi de uns tempos pra cá? Aprendi que uma das melhores maneiras de medir a qualidade de um autor é, depois de lê-lo, olhar para mim mesmo e perguntar: e agora? Pois é. Se não houver resposta, o sujeito é bom. Ele diz algo, você lê. Tudo faz sentido, a argumentação é perfeita, não há brechas, não há como refutar. E, pra piorar, pode ser que o diagnóstico do problema abordado seja trágico, e você é obrigado a aceitá-lo. Não é nem questão de concordar. É aceitar – mesmo que se discorde – por simples e total ausência de contra-argumento.

Este é o bom autor. O autor que dá trabalho para o leitor. É o autor que ninguém quer hoje em dia, porque todo mundo crê que existem explicações fáceis e que no final vai ficar tudo bem. Não! Pode ser que não fique tudo bem. E pior: pode ser que o problema nem seja aquele que você achava que era. E, mesmo que você descubra o problema, pode ser que você saiba tão pouco sobre ele, que chegue a pensar que não há solução, ou que há solução.

O bom autor, enfim, é aquele que não pensa em termos de solução. O problema é que a maioria das pessoas tem uma dificuldade infinita de se libertar do pensamento solucionático. Isso ocorre por motivos diversos, e é conveniente a muitos indivíduos, os donos do conhecimento. Portanto, vemos a propaganda intelectual da sociologia, da psicologia e de todas as ciências – o cientificismo: todos esses pequenos pseudo-universos, que nos envolvem e nos fazem pensar que o mundo pode ser explicado dentro de um campo de estudos bem específico e delimitado. E, como isso é impossível, temos de pensar uma coisa e viver outra. 99% dos seres humanos hoje fazem isso: pensam uma coisa e vivem outra, são zumbis intelectuais. Experimente ser coerente com aquilo que você pensa, durante algumas horas que seja. Ninguém faz isso. Saio pelas ruas e vejo jornalistas discutindo a pobreza e a opressão social sentados em uma pizzaria onde a pizza individual custa 28 reais. Tive um professor de filosofia medieval, que fazia o tipo meio ermitão meio anti-capitalista, e um dia o vi entrar em sua Palio Weekend Adventure Off-Road Não Sei O Que Lá Mais e tive vontade de rir. Vejo menininhas de 23 anos escrevendo na Veja – depois de fazerem o Curso Abril de Jornalismo – sobre temas como “A Igreja Católica” ou “O Islamismo Hoje”, sem nunca terem lido jornais em inglês.

Bem, acho que já estou digredindo demais, não é mesmo? Eu só queria mesmo era mostrar este trecho:

“O coletivismo de que morre o mundo, e de que vivem os novos aventureiros, é a teoria do ajuntamento sem unidade; é a tentativa de encontrar significado na multidão, já que não se consegue descobrir o significado de cada um; é a conspiração dos que se ignoram; a união dos que se isolam; a sociabilidade firmada nos mal-entendidos; o lugar geométrico dos equívocos.

Os homens que perderam o segredo da alma ora se isolam, ora se aglomeram. A história do homem é uma dança em compasso binário. O erro é um pêndulo. E assim o mundo vai trilhando seu sinuoso delírio. Enquanto dura um certo contentamento do egoísmo, os homens conseguem viver numa esportiva competição (lei da oferta e da procura, cada um por si e Deus por todos), dividindo a sociedade em compartimentos estanques (amigos amigos, negócios à parte), e chegam a formular, e a viver, uma doutrina do individualismo apenas temperada, na inevitável convivência, por um acordo extrínseco, por um contrato social. Quando porém se esgota a euforia dessa espécie de atomização social, e nas almas pesa a solidão, correm todos a se amontoar, a encher as praças públicas levantando ora o braço direito, ora o esquerdo, em sinal de congraçamento; e no morno contato dos ombros, dos peitos, das nádegas, no tépido aconchego de curral, os homens coletivos sorriem reconfortados, com um sorriso de rua, felizes de terem escapado, por um triz! do pesadelo horrível de terem almas. Falam então de solidariedade humana, isto é, do sentimento de estarem colados uns aos outros, pelos ombros, pelos peitos, pelas nádegas.

Qual dos dois será pior? O egoísmo que se isola ou o egoísmo que se congrega? É difícil decidir. Será pior aquele de que o mundo se cansou; será melhor aquele de cujos incômodos o mundo se esqueceu. E assim vamos, como o viajante sem cabina, que passa a noite na ponta escassa de um banco a jogar com sua anatomia, a mudar de posição, encontrando um fugaz alívio nas mesmas atitudes que já lhe deram cãimbras. E assim vamos, de contorção em contorção, de alívio em alívio, e o que ainda é pior, de entusiasmo em entusiasmo”.

[Gustavo Corção, Lições de Abismo, São Paulo, Círculo do Livro, 1976]

Marcadores, ó medíocres marcadores

E os marcadores de livros? esses infelizes servos anônimos da nossa intermitência… Nunca ninguém fala dos marcadores.

Eu falo aqui, mas, estranhamente, não lhes presto tributo algum. Manifesto-me apenas para observar que nunca vi um sequer deles que trouxesse o anúncio de um bom livro. Esses infelizes transportadores nunca trazem qualidade. Anunciam best-sellers, livros de religião barata tipo leonardoboffiana, tratadozinhos marqueteiros de como fazer sucesso, pseudociência de ocasião, comédia besteirol. Sinto-os deslocados entre as páginas que leio, sempre deslocados, invariavelmente, como aquelas mocinhas fúteis da sua sala de faculdade diante de uma conversa sobre o desconcerto do mundo ou sobre o coletivismo imbecilizante e o esvaziamento cultural. Sempre deslocados, como Paulo Coelho diante de Eric Voegelin e Gustavo Corção; como formigas em salinas. E o que dizer dos livros de sebos? Sujos, muito sujos e velhos. E dentro deles o marcador ascéptico, ostentando sua absurda limpeza e berrância de cores, e slogans muito pobres, ridículos exemplos de formação frasal primitiva diante dos períodos invejáveis de um poeta irlandês, ou de um Bilac, ou de um Camões. O novíssimo primitivo dentro do antiqüíssimo avançado; o novo estragado e incompleto (se tanto!) dentro do velho perfeito e bem-acabado; o podre registrado em papel lindo, o lindo registrado em papel podre. Ó tristeza das constatações: a tecnologia desperdiçada.

O que é?

Quero dizer algo, mas não posso. Em parte porque não posso, em parte porque não sei o que é. Como dizer alguma coisa? se eu nem sei o que é. Como posso saber que não posso dizê-la? se eu nem sei o que é. Bem, não sei. Só sei que, se eu soubesse o que é, não poderia dizer. Sabe como é?

Rá!

Acho que é só raiva de acordar cedo. 99% das vezes que eu fiquei insatisfeito nos últimos 10 anos, foi porque acordei cedo, ou porque fui a uma aula inútil, ou uma combinação dos dois. E agora entra um outro fator ainda: o frio. E mais um outro: nem do diploma eu preciso, já que tradutores não costumam mesmo ter diploma. Mas, sempre resta aquela dúvida, e você acaba gastando mais uma pequena fortuna em dinheiro, só para “acabar” o curso.

Hoje eu estava passando pela rua e vi um basset. Ele me perguntou o que eu estava fazendo ali e me mandou ir dormir. Eu não fui. Não obedeço a cães, a não ser aos fofos, bem peludos. Os outros eu só escuto. Dou muita bola, mas não obedeço. Apenas penso, reflito sobre o que eles dizem e escrevo posts. Depois os leio e acho que ficaram mal escritos. Então publico. É fácil. É só clicar em “publish”.

Pelo buraco da fechadura, vejo…

Pelo buraco da fechadura, vejo umas coisas. Uns vultos, às vezes, um apagar e acender de luzes, trabalhadores, sons de elevador. Não só vejo, então, mas escuto também. Nada de muito interessante. Há tempos não vejo nada de muito interessante em carne e osso, na minha frente. As coisas interessantes estão lá longe, no tempo e no espaço. Acostumei-me a isso. Elas chegam a mim por meio de imagens, palavras e sons. Meu cérebro as absorve, transmitindo-as ao meu corpo, ao que elas então passam a poder ser chamadas de experiências. Mas são mesmo? O Google vale por um avião? A Livraria Cultura e o sebo Traços e Traças são trens expressos por meio dos quais viajo pelo mundo e falo com as pessoas interessantes?

Se eu fosse um imbecilzinho, agora estaria na hora de lançar a pergunta: “o que são pessoas interessantes?

Mas eu não sou um imbecilzinho. Não vou questionar conceitos só porque é cool. Existem, sim, pessoas interessantes. Mas, a maioria das pessoas não passam de boas companhias, perto das quais não posso sentar o pau no terceiro setor, nem posso dizer que a literatura brasileira é, em geral, uma grande merda, sendo que a parte boa ainda é vendida pelos nossos guruzinhos como crítica sócio-politica historicamente determinada (contra “as elite”). Não posso dizer muitas coisas por aí. Todo mundo é legal, todo mundo acha que tem de respeitar a opinião dos outros como quem respeita Deus. Pois quero deixar bem claro que eu não respeito a opinião dos outros. A opinião dos outros é uma porcaria. Nem chega a ser uma opinião. Se um dia eu escutar uma opinião inteligente, juro que vou respeitar. Se um dia um sujeito ou uma sujeita de carne e osso chegar diante de mim e emitir uma idéia que preste, respeitá-la-ei. Isso se eu já não tiver esquecido o que é respeitar uma idéia de uma pessoa concreta. Ou ao menos respeitar de verdade. Afinal, quando se trata de pessoas de carne e osso na minha frente, aprendi a fingir respeito intelectual. Por favor, não confundam os respeitos. Respeito todo mundo de verdade, como pessoa, mas quase nunca como pessoa opinativa. O Homo opinativus é uma criatura lamentável. Ele late, por exemplo, “odeio o Bush”. E você finge que respeita isso como opinião. Ele diz que o cinema brasileiro tem filmes bons. E você finge que também acha que “Vidas Secas” e “Toda nudez será castigada” e mais meia dúzia de filmes interessantezinhos (os quais ele provavelmente nem viu) salvam todo o resto. Não digo que eu não possa discordar diante dele. Eu posso. Mas, a partir de então, serei apenas um chato. Isso, é claro, partindo-se do pressuposto de que eu serei capaz de refutá-lo facilmente, já que, para refutar um simples aforismo idiota e paradoxal, às vezes é preciso alguns parágrafos. E, você sabe, proferir mais de duas frases consecutivas para alguém, em público, hoje em dia, pode ser mais difícil que ler Aristóteles para um recém-nascido. As pessoas simplesmente não prestam atenção em você por mais de 10 segundos.

Eu sou ranzinza e vivo com raiva de tudo e de todos? Pode ser. Mesmo assim, as pessoas que me conhecem podem confirmar que eu escuto os outros muito mais do que eles me escutam, ou do que costumam escutar-se entre si. Posso não concordar em que o inconsciente seja o rei da cocada preta, que manda em tudo o que a gente faz. Mas posso dizer que já li mais sobre ele do que a maioria das pessoas que abaixam a cabeça para os doutores da cabeça. Inclusive, acho que li o suficiente para saber que está cheio de neuróticos por aí dizendo que todo mundo é neurótico. E o suficiente para saber que o inconsciente existe e nos prega peças mesmo, mas que esse nem de perto chega a ser um dos maiores problemas da humanidade.

Sei que me acham ranzinza quando eu digo que o cinema brasileiro é uma bosta. Mas, garanto que já assisti a mais filmes brasileiros do que muito cinéfilo defensor dos “direitos da categoria”. Algumas pessoas me acham bobo por dar uma chance à religião. Eu os acho bobos por darem uma chance ao cinema brasileiro, ao terceiro setor, ao Lula, às idéias de Marx etc etc. Todas essas coisas já existem há um século ou mais e nunca passaram de quebra-galhos e tolices mesmo. Além disso, nem precisam de uma “chance”. Elas mesmas se dão uma chance há décadas, incansavelmente. Se perserverança fosse sinal de competência e qualidade, o cinema brasileiro seria o melhor do mundo. Só mesmo aqui para insistirem por tanto tempo em fazer uma coisa que ninguém quer ver. Só aqui para essa coisa passar a ser vista por causa da “conscientização do cidadão”, em vez de simplesmente porque é boa. Aqui no Brasil, para que as pessoas passem a achar as coisas boas, é preciso mudar o próprio conceito de bom na cabeça delas. Já que quase nada é bom, mudemos o conceito de bom! Façamos uma releitura da bondade à luz de Nietzche ou Foucault, no seio da sociedade capitalista opressora!

Bem, já falei mal de umas coisas hoje. Por hora é só. Vou sair por aí e ouvir mais bobagens, fazer cara boa e fingir que concordo, para poder sobreviver na imensa floresta das opiniões imbecis hiper-consensuais que me cerca. Isso é o mais próximo de liberdade que conseguimos aqui.

Super Tição

Chesterton, sobre a circularidade dos argumentos dos idiotas contra a religião:

“Se eu disser ‘Os documentos medievais atestam certos milagres como atestam certas batalhas’, responder-me-ão ‘que os homens da Idade Média eram supersticiosos’; mas, se eu perguntar por que é que esses homens eram supersticiosos, a última resposta será ‘porque acreditavam em milagres’. Se eu disser que um camponês viu um fantasma, não faltará quem me diga que os camponeses são muito crédulos; mas, se eu quiser saber a razão por que os camponeses são crédulos, a única resposta será que eles são crédulos por acreditarem em fantasmas”.