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Archive for October, 2004

Profunda filosofia

Se não existisse gente burra, eu seria bem mais feliz.

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Viajar de carro é uma prova do espírito. Se a alma é rica, desperta-se para os mais variados sentimentos quando vê as coisas passarem. E quantas coisas passam na estrada! Vacas, árvores, cidades, lagos, vidas. A velocidade parece uma ilusão que o tempo cria para alimentar os sentidos e os sentimentos.

Viajar dá vontade de cantar, pensar no tempo que foi e no que virá, planejar coisas e depois não fazê-las ou fazê-las, voar como quem perdeu o rumo só para reencontrá-lo mais na frente, reordenar, revisitar, cair e levantar.

A estrada é a varanda. Lá onde vamos respirar o ar de fora, ver outras paisagens ainda que sejam as de sempre, mas estão “lá fora”, são de outro mundo que não o cotidiano.

O que eu quero para minha vida? Estar lá fora e aqui dentro. Aqui é pequeno às vezes. Lá é cansativo às vezes. Estar no meio é assim, mas também é bom. Estar no meio é ler tudo, ainda que não se entenda muito. Quero tudo que eu possa ver, de perto, de longe, do meio, de fora, de dentro, de qualquer lugar menos o de todo mundo – que o de todo mundo é pobre, maçante, fácil, igual. Todo mundo é igual a alguma coisa, embora se pense diferente e único. Eu não quero ser igual a nada além de mim mesmo, além desse céu que eu vejo em cima de mim, dessa estrada que está na minha frente, sem rota definida mas cheia de sinalização. O meu guia não diz aonde ir, mas diz como. O meu mapa mostra tudo e eu posso seguir o caminho que eu quiser, mas só sigo aquele que é bom.

Não, nada do que te disseram é importante. Esqueça o que te disseram que é importante. O importante é o contrário do que te andam dizendo por aí, ainda que já estejam te dizendo isso. O importante é, então, o contrário do contrário do que andam te dizendo que é importante. E, acredite, o contrário do contrário não é o “mesmo”.

Ontem pulei da varanda e hoje voltei, depois da estrada e das vaquinhas e do meu amor por tudo o que é bom de amar.

Amanhã vou respirar o mundo sem sair ou saindo de casa, a pé ou de carro ou de cérebro. Amanhã vou ser o que eu fui e o que eu sou e mais um pouquinho. E muita coisa que me cerca não vai ter contribuído em nada para isso. Mais coisas do que eu gostaria não vão ter contribuído em nada para isso.

O pouquinho vai ser meia dúzia de coisas importantíssimas, dentre as quais as vaquinhas da estrada, as músicas de longe no tempo e no espaço e os cheiros de lugar algum e o amor que eu sinto por elas: uma pessoa, uma palavra, mil palavras.

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Monday

Quando Morrissey disse que “every day is like sunday/ everyday is silent and gray”, devia ter escolhido “monday”, exceto pelo fato de que nenhum dia aqui em São Paulo é propriamente silencioso. Domingo é legal perto de segunda-feira. Segunda-feira é um dia tão amargo, que mesmo estando no mais recôndito buraco do mundo, mesmo na praia, tomando água de côco e com o sol a pino, o cidadão vai sempre parar, nem que seja por um único segundinho, para se lembrar de que “hoje é segunda-feira” e sofrer sua micro-dose de tédio, dasânimo, falta de sentido, enfim, o inevitável e falso re-exame instantâneo-momentâneo da própria vida.

Em resumo, um saco!

O que nos resta? Esperar a terça-feira.

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