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Archive for February, 2005

Pássaros e homens

Vocês já viram o documentário “Migração Alada”? Tocante. Antropomorfizante? Talvez. Se bem que o homem anda tão animal, que os animais me parecem mais humanos que os homens. Não sei o que pensar dos bichos. Devemos respeitá-los tanto quanto (ou mais) que a nós mesmos, como pregam os ambientalistas? Meu coração diz que sim, mas não consigo explicar isso muito bem, racionalmente. O melhor que consigo bolar é isso: respeitando-os, exercemos nossa própria humanidade (no sentido mais elevado, é claro). E temos obrigação de sermos humanos. Ao mesmo tempo, contudo, não estamos sendo muito nobres quando fazemos isso da maneira raivosa que os ambientalistas fazem. E, se não somos humanos em outros campos… acho que é isso que me confunde. Aqueles que mais brigam pelos animais atualmente são muito pouco humanos, ou demasiado humanos, no sentido nietszcheano.

Ah, sei lá. Apenas assistam ao filme. É um dos melhores que vi nos últimos tempos. E perdeu o Oscar de melhor documentário para um outro filminho mais enragé, o que é um bom sinal!

Nas melhores locadoras…

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Ermitei da Internet blogueira. Simplesmente não tenho mais nada para escrever. Sou um esquimó das palavras. Vejo vários tons de branco no papel e na tela do computador e fico achando que o preto das palavras vai ofender alguém. Ou não. Não acho nada, e este é o problema. Quem nada acha, nada escreve. Mas isso já é achar. Então jé era meu argumento.

Aos que aqui voltam na esperança de algo encontrar, bem, deixo aqui mais esta mensagem inútil, contemplativa, autocentrada na radical umbigação de um blog pessoal. Quero mais de tudo. Volto a escrever então. Mas já alerto que posso parar logo logo.

Minha situação psicológico-profissional atual é: estou saindo da lama. O país, como sempre, chafurda. Sinto-me um pouco avestruz, pois deixo de me importar, apenas leio sobre. Que chafurdem todos, sem saber, felizes rumo ao barro da imanência inexorável. O século XXI é um grande funcionário público e eu não vou ver o XXII, então buá e f*da-se! A grande tarefa, o grande desafio do (que se acha) são neste mundo: transcender o funcionário público e agüentar as conseqüências de tão nobre iniciativa. Recusar-se a mamar. Não querer o que todos querem. E aqui me refiro a todos mesmo, inclusive aos que não admitem sê-lo. No século das minorias, tal lembrança é crucial. Ei, você, seu imbecil, você pensa que não faz parte da boiada? Hmm. Sei. Então por que mais uns 500 mil estão usando essa mesma camiseta? Então, por que EU ouvi falar de você, in the first place? Você já pensou que o critério número 1 da verdadeira exclusão é discordar anonimamente?

Volto ao mito da varanda. Acho que a varanda simboliza o mundo moderno. Você fica ali, vê umas coisas, e depois volta pra dentro. O outro símbolo é o engarrafamento. Quanto mais gente envolvida, menos as coisas andam.

Pulei da varanda e fiquei em casa na hora do engarrafamento. Sou do contra desde criancinha (minha infância começou aos 22). Lá embaixo, no térreo, estava mais silencioso que na varanda. Fazer o quê? A gente compra um apartamento alto, bem alto, achando que vai alcançar Jesus Cristinho, e o que acontece? Barulho de ônibus. Extremamante expressivo! A transcendência do homem moderno (supondo-se que eu, bem, deixa pra lá, medieval é que eu não sou…) esbarra no incenso de 1,99, nos ônibus dos corredores da Martinha, nas barbas do profeta pseudo-metalúrgico, na reforma eterna de tudo (que os jornais anunciam desde sempre) e na batata murcha de um delivery qualquer.

Quero subir, mas sem desavestruzar. Quando chegar lá em cima, prometo que dou um tchauzinho, viu?

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