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Archive for April, 2005

Suspenso

Suspenso, acima da realidade, feliz enfim. Sair da caverna é fácil, difícil é voltar, ou pior, ficar olhando lá pra dentro enquanto se está fora. Aqui fora, valores universais, flores de palavras simples, forma harmônica, trompetes, cravos, flautas. Lá? “Bom dia, Brasil”, “Jornal Nacional”, Bolha de S. Paulo, O Bobo, enfim, a obsessão do “ficar por dentro”. Eu diria “dentro” mesmo, só que da caverna, onde reina o tempo, as dores inúteis de quem sente dor pela doença errada, tentando sarar a ferida errada, revoltando-se contra o inimigo errado e idolatrando o médico errado.

Só o de sempre. Estou cá e lá, vendo e não vendo. Fecho o olhos, abro e vôo solto em direção aos sons que ninguém houve. Parece ser esta a minha sina. Por exaustão, pairo acima da poluição e vejo os restos da terra devastada povoada de almas boas, onde os quarteirões se multiplicam, uns feios outros bonitos, todos cheios de gente andando vertiginosamente sem olhar para trás e sem olhar para dentro. E quando alguém resolve tentar olhar para dentro, os clichês estão todos lá, prontos, para a pessoa continuar olhando para fora, só que agora um outro fora, que parece dentro.

O mundo está cheio de foras que parecem dentro. A matéria é uma grande armadilha, um repositório de falsos etéreos, crenças pretensas.

Sempre foi assim?

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Computador novo, idéias mesmas. Ainda espero para conhecer pessoas normais, mas já estou desistindo.

Ou então, fomos ao parque ver uns cachorrinhos. Fofos como sempre. Desconfie (de), ou melhor, odeie quem sai por aí dizendo que um ser humano qualquer é maravilhoso, sábio, sereno etc etc. Ninguém é maravilhoso. Ninguém é sábio. E serenidade não passa de uma obrigação de todos nós. Maravilhoso é um cão peludo abanando o rabo. Maravilhoso é admirar seres insignificantes. Maravilhoso é admirar alguém sem ficar pondo em pedestal. Maravilhoso mesmo é meditar sozinho, em um quarto isolado, sem a companhia de mais uns 20 serezinhos alternativos-com-cara-de-bonzinhos-e-serenos-em-um-cenário-bucólico-regado-a-comidinhas-orgânicas. Mostrem-me alguém que faz isso e eu direi rá, e irei embora pra casa comer gorgonzola. Comer gorgonzola sozinho é mais transcendental que meditar duas horas por dia durante 10 anos na companhia de patotinhas.

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Na frente do computador, como Bukowski no final de seus dias. Só que nada parece vir. E quanto mais rápido digito, mais óbvio se torna o fato de que não tenho nada a dizer.

Uma amiga disse que um certo blogueiro (não este que vos fala) está postando coisas amargas sobre o mundo porque não está conseguindo emprego. Rá. Quem dera as coisas fossem tão simples.

Quero, a partir deste momento, que todos saibam uma coisa importantíssima sobre este ilustre blogueiro aqui (agora, sim, este que vos fala): se parei de sentar o pau em tudo, isso não quer dizer que tudo deixou de ser uma bosta; se deixei de sentar o pau em tudo, isso não quer dizer que sentar o pau em tudo tenha como causa a falta de realização pessoal. E acho que isso vale para todos. Em um país cuja sociedade é, em geral, um lixo; em um país que nivela tudo por baixo; em um país que enaltece a mais insignificante corja em todas as profissões e camadas da população, a falta de realização pessoal é quase automaticamente uma decorrência da inteligência (Sim! Modéstia à parte! Modéstia à parte!).

Para ganhar dinheiro e ser feliz, quanto mais integrado melhor. Para ser integrado, e não um outsider, é preciso apenas ser bicho-grilo, agora que os outsiders são o mainstream e os hippies tomaram conta do Ministério da Cultura e da Embratur.

Por isso, resolvi o seguinte. Parei de falar tanto e resolvi me recolher aos meus aposentos, nadar, jogar tênis, conversar com meus amigos sobre amenidades, traduzir, ganhar pouco, ser feliz com pequenas coisas do dia a dia, e esquecer a sociedade. Quando a sociedade implodir, se implodir, fugirei ou morrerei, que seja. Mas me recuso a gastar mais tempo com picuinhas. Uma polêmica hoje, para mim, tem o valor de um chiclete: algo com que se divertir por alguns minutos. A vantagem? Ver a importância que certas pessoas dão a coisas imbecis.

Ficçãozinha:

Gumercindo pulou da janela gritando “Viva Bush”! Caiu em um arbusto e sobreviveu. Com a graça de Deus, renasceu em nosso senhor Jesus Cristo. “Ele está no meio de nós”. Quando saiu do arbusto, foi linchado por uns guevarinhas clonados tipo Miguelito do Los Tres Amigos. Viva a Demo… digo, Miguelitocracia!

Mas como disse, não tenho nada a dizer. Só bobagens. Nem devia estar escrevendo. E você nem devia estar lendo estas linhas.

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