Momentinho amarguinho

Na frente do computador, como Bukowski no final de seus dias. Só que nada parece vir. E quanto mais rápido digito, mais óbvio se torna o fato de que não tenho nada a dizer.

Uma amiga disse que um certo blogueiro (não este que vos fala) está postando coisas amargas sobre o mundo porque não está conseguindo emprego. Rá. Quem dera as coisas fossem tão simples.

Quero, a partir deste momento, que todos saibam uma coisa importantíssima sobre este ilustre blogueiro aqui (agora, sim, este que vos fala): se parei de sentar o pau em tudo, isso não quer dizer que tudo deixou de ser uma bosta; se deixei de sentar o pau em tudo, isso não quer dizer que sentar o pau em tudo tenha como causa a falta de realização pessoal. E acho que isso vale para todos. Em um país cuja sociedade é, em geral, um lixo; em um país que nivela tudo por baixo; em um país que enaltece a mais insignificante corja em todas as profissões e camadas da população, a falta de realização pessoal é quase automaticamente uma decorrência da inteligência (Sim! Modéstia à parte! Modéstia à parte!).

Para ganhar dinheiro e ser feliz, quanto mais integrado melhor. Para ser integrado, e não um outsider, é preciso apenas ser bicho-grilo, agora que os outsiders são o mainstream e os hippies tomaram conta do Ministério da Cultura e da Embratur.

Por isso, resolvi o seguinte. Parei de falar tanto e resolvi me recolher aos meus aposentos, nadar, jogar tênis, conversar com meus amigos sobre amenidades, traduzir, ganhar pouco, ser feliz com pequenas coisas do dia a dia, e esquecer a sociedade. Quando a sociedade implodir, se implodir, fugirei ou morrerei, que seja. Mas me recuso a gastar mais tempo com picuinhas. Uma polêmica hoje, para mim, tem o valor de um chiclete: algo com que se divertir por alguns minutos. A vantagem? Ver a importância que certas pessoas dão a coisas imbecis.

Ficçãozinha:

Gumercindo pulou da janela gritando “Viva Bush”! Caiu em um arbusto e sobreviveu. Com a graça de Deus, renasceu em nosso senhor Jesus Cristo. “Ele está no meio de nós”. Quando saiu do arbusto, foi linchado por uns guevarinhas clonados tipo Miguelito do Los Tres Amigos. Viva a Demo… digo, Miguelitocracia!

Mas como disse, não tenho nada a dizer. Só bobagens. Nem devia estar escrevendo. E você nem devia estar lendo estas linhas.