Suspenso

Suspenso, acima da realidade, feliz enfim. Sair da caverna é fácil, difícil é voltar, ou pior, ficar olhando lá pra dentro enquanto se está fora. Aqui fora, valores universais, flores de palavras simples, forma harmônica, trompetes, cravos, flautas. Lá? “Bom dia, Brasil”, “Jornal Nacional”, Bolha de S. Paulo, O Bobo, enfim, a obsessão do “ficar por dentro”. Eu diria “dentro” mesmo, só que da caverna, onde reina o tempo, as dores inúteis de quem sente dor pela doença errada, tentando sarar a ferida errada, revoltando-se contra o inimigo errado e idolatrando o médico errado.

Só o de sempre. Estou cá e lá, vendo e não vendo. Fecho o olhos, abro e vôo solto em direção aos sons que ninguém houve. Parece ser esta a minha sina. Por exaustão, pairo acima da poluição e vejo os restos da terra devastada povoada de almas boas, onde os quarteirões se multiplicam, uns feios outros bonitos, todos cheios de gente andando vertiginosamente sem olhar para trás e sem olhar para dentro. E quando alguém resolve tentar olhar para dentro, os clichês estão todos lá, prontos, para a pessoa continuar olhando para fora, só que agora um outro fora, que parece dentro.

O mundo está cheio de foras que parecem dentro. A matéria é uma grande armadilha, um repositório de falsos etéreos, crenças pretensas.

Sempre foi assim?

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