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Archive for November, 2005

Mais deprimência

Para fazer jus ao caráter sinistro das perspectivas do post abaixo, aqui vão mais duas observações. Uma delas tem a ver com o assunto, outra só gurda dele o espírito:

O mundo em uma frase: “Washington está isolado”.

São Paulo em uma frase: “Senhor, digite sua senha por favor”.

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Internet com os dias contados?

Editorial do Estadão do dia 7 de novembro:

A internet ameaçada

Quem controla a internet? Não são muitos os internautas que podem responder a essa pergunta. Na verdade, são muito poucos os internautas aos quais essa questão ocorreu umdia.Enão surpreende que, para a grande maioria, a internet seja vista como uma associação de usuários de computadores, livres de obrigações além daquelas determinadas pelas leis do país, que podem entrar ou sair da rede à vontade, bastando para isso pagar as tarifas mínimas de suporte telefônico.

Mas a internet tem uma estrutura de controle. Ela nasceucomoumarede de comunicações militares, durante a guerra fria, para funcionar no caso deumataque nuclear contra os Estados Unidos interromper as comunicações convencionais. Mas logo se percebeu o potencial desse sistema para a democratização das comunicações pessoais e, assim, a internet foi aberta para uso público. Em 1998, o governo dos EUA deixou de exercer o controle direto dosistema, que permite que duas pessoas se comuniquem por computadores, mesmo estando em lugares diametralmente opostos do globo, bastando ter acesso a uma linha telefônicacomum.Naquele ano, a internet passou a ser gerida pela Icann (Corporação da Internet para a Designação de Nomes e Números), uma entidade privada, sem fins lucrativos, que funciona no Estado da Califórnia.

Por razões administrativas, a Icann está vinculada ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Esse é um dos motivos pelos quais se atribui aos EUA a hegemonia sobre a internet. Na verdade, o governo americano sempre respeitou os termos do memorando de entendimento pelo qual cedeu a internet ao uso público, não se conhecendo um só caso de interferência sua nas decisões da Icann. Por outro lado, é forte aparticipação da comunidade internacional nas decisões da Icann, por intermédio do “board” de diretores internacionais – umcorpo de 15 diretores, dos quais 2 são brasileiros – ou do comitê assessor governamental.

Há dias, numa reunião preparatória para a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, em Genebra, representantes de vários países lançaram uma ofensiva contra o que chamam de “hegemonia norte-americana sobre a internet”. Os países mais ativos desse grupo são o Brasil, a Arábia Saudita, o Irã e a China. Pretendem atribuir as decisões políticas da internet a um organismo intergovernamental – e dizem que, assim, reforçarão o multilateralismo, a transparência e a democracia.

Desse grupo, no entanto, só o Brasil permite que seus cidadãos utilizem, sem restrições, a internet. Os demais proíbem o acesso ou impõem severas restrições ao uso da rede, submetendo seus súditos a pesadas penas,emcaso de infração. Estão interessados em tudo – principalmente em exercer o controle político da internet, ou seja, poder censurar seus conteúdos –, menos em multilateralismo, transparência e democracia.

OIcann tem funcionadobemporque nunca se preocupouemfazer política. Seu objetivo foi tornar a internet um instrumento eficiente deumnovo conceito de comunicação global e de oportunidade para negócios.

Em 2006, termina o contrato da Icann com o Departamento de Comércio. Washington já deixou claro que respeitará a soberania dos países sobre os seus endereços na internet e de maneira alguma interromperá os serviços. E propõe a instalação de um foro de discussão entre governos, para que as questões da internet sejam resolvidas num “processo evolutivo”.

Mas Washington está isolado. Na reunião de Genebra, a União Européia propôs a criação deumanova organização internacional para fazer o que a Icann faz. Pretendia criar condições para uma solução de compromisso – “uma ponte” – entre os EUA e os demais países. Mas o que, de fato, fez foi enfraquecer a posição americana, com uma jogada pouco refletida.

O grupo que quer destituir osEUAdo “controle” da internet é constituído por países sem vocação democrática – exceto o Brasil – e com forte vezo estatizante – e aí o governo brasileiro não é exceção. Daí quererem que a internet passe a ser administrada pela União Internacional de Telecomunicações, organismo da ONU que representa os interesses dos monopólios estatais – cuja existência é ameaçada pela própria internet.Asobrevivência deumsistemainovador e relativamente livre da interferência estatal está sendo seriamente ameaçada.

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Abandono

Este blog encontra-se verdadeiramente abandonado, não é? Pois é. São Paulo acabou por revelar-se uma cidade que me dá preguiça intelectual. Ou ao menos meu apartamento me dá preguiça intelectual. Sei lá. Penso (pensamos) em me (nos) mudar(mos). Outra cidade, de novo. Novos ares? Não. Apenas ares, pois aqui não os há. Só poluição. Espirro o dia inteiro e meus olhos ardem. Sobre o que posso escrever? A filosofia do espirro e dos olhos que ardem? Ontologia dos olhos ardentes? Gostei! Parece um tratado sobre o mundo moderno.

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