Feeds:
Posts
Comments

Archive for October, 2006

Soltos

Quase sempre, e cada vez mais, sinto que não pertenço a lugar nenhum. Estou solto. Parece bom, mas é ruim. Quero raízes e só encontro impertinência. Mudei o sentido desta última. Ou mehor, ampliei. Acabo de fazê-lo, só de chato. Virem-se agora com o novo sentido, maior e pior. Sou impertinente. Não pertenço a lugar nenhum e não concordo com ninguém. Quero ir embora, mas sei que, quando chegar lá, seja lá onde for, não ficarei satisfeito. Talvez me sinta só, eu e minha mulher, sós. Nossa vida parece uma eterna luta entre o só e o mal-acompanhado (não me refiro à companhia dela, mas à dos outros em relação a nós). Mal-acompanhado é um estado de espírito. Você pode estar sempre bem-acompanhado, e ainda assim estar mal-acompanhado. A causa disso? A restrição de assuntos.

Quero crer que o problema seja cultural. O Brasil não existe. É um punhado de pessoas com convicções arraigadas sei lá onde. Digo “sei lá onde” porque não recebo resposta quando pergunto a elas onde arraigaram suas opiniões. Ou as recebo idiotas.

Agora, depois de estrebuchar como um peixe quase seco, encontro-me aqui, a sonhar com graminhas e árvores, que nem isso tenho. E uma caminhada diária sem ver bárbaros e mendigos. O simples. Como as micro-empresas, optei pelo simples. O diabo é que ninguém deu a mínima. Os que me bem-acompanham não parecem preocupados. Não se incomodam com a pobreza, a sujeira, as impossibilidades. Não é culpa deles, mas das “elites”.

Então estrebucho. Estrebuchamos. Talvez fujamos. Se voltarmos, será porque o problema é o mundo. Eu sei que é, mas sempre resta aquela ressalva. O mundo é ruim, mas aqui é tão ruim que deve haver lugar melhor. Ou então será só para tirar férias dos ódios de cá, das coisas insuportáveis. Estas, às vezes, deixam de sê-lo com o tempo. Mas sempre resta aquela ressalva.

Read Full Post »

%d bloggers like this: