Saudade

No passado distante, havia as vaquinhas no papel-toalha. Guardo uma lembrança doce e nostálgica daquele papel-toalha ilustrado com vaquinhas. Não sei por quê, mas algumas coisas recentes parecem mais distantes que outras antigas. Talvez a memória seja qualitativa, e distorça o tempo linear, transformando-o em uma ameba. O presente seria o “centro” da ameba, e as lembranças distam distâncias variáveis do centro, de acordo com a importância qualitativa que elas tenham. Assim, o papel-toalha com vaquinhas está em uma reentrância da ameba, enquanto o governo FHC está em uma saliência.

Também no passado distante estão as salas de aula de faculdade. Parecem perdidas em outra galáxia, talvez em outra ameba. Quiçá haja várias amebas concêntricas.

Ainda há o papel-toalha. Ainda há as salas de aula de faculdade. Todavia, naquele as vaquinhas não são mais laranja; e nestas só vejo comunistinhas.

O sonho acabou. Vou chorar e enxugar com papel-toalha de vaquinhas azuis.

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