Tempo e espaço

As ondas sonoras de uma serra cortadora de granito me despertam os sentidos, fazem-me crer na concretude do espaço, assim como outrora um relógio de parede, em casa de meus pais, fazia-me crer na concretude do tempo.

Pura ilusão, contudo. O espaço não passa de uma casa inóspita, e o tempo nada mais é que um conjunto de momentos que, de tanto passarem, nunca chegam a existir.

Mesmo assim, quantos são os sofrimentos que podemos experimentar no âmbito dessas duas dimensões! Quantas as provações!

Devemos ser mesmo uns serezinhos desprezíveis, se conseguimos transformar até abstrações em coisas ruins.

Mas não sinto só isso. Sinto também que estou flutuando no ar e que me puxam os pés e que eu tenho de deixar que o façam, pois assim é e tem de ser.

Estou também com um frio na barriga.

Depois falo das coisas boas.

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