Tchau

Desculpem-me por não escrever nada aqui por tanto tempo. É que meu estado de espírito tem andado em suspenso. Não estou tranqüilo nem nervoso. Estou alhures. Espero voltar em breve para o meio de mim. Por enquanto estou existencialmente deslocado. São Paulo sugou toda a minha energia. O restinho que sobrou, juntei com o da minha mulher, e estamos então usando esses dois restinhos para nos mudar daqui. Deixaremos muitos amigos “para trás”, ganharemos alguns novos, tentaremos levar alguns conosco em busca de mais qualidade de vida e sentiremos saudades de algumas coisas. Mas não se ganha sem perder.

Enfim me livrarei desse barulho de ônibus, dessa poluição desgraçada e, acima de tudo, da velocidade. Ninguém precisa ter de ver e escutar tantos carros por dia. Ninguém precisa ver e escutar tantas obras e reformas.

Aqui em São Paulo as pessoas não vivem, apenas se renovam.

Minha última mensagem a São Paulo é: obrigado por tudo aquilo que me fizeste amar e odiar.

Odiar as coisas faz a gente se encontrar. E aqui em São Paulo há muita coisa para se odiar. Aos poucos fomos, eu e minha mulher, selecionando o que amávamos e odiávamos. Tentamos nos adaptar, filtrar, viver à parte dos ódios. Mas não conseguimos. Por mais que a gente tentasse se distanciar do ritmo da cidade, acabávamos presos a ele de uma forma ou de outra. Eu não sou do tipo que consegue viver em um mundo fechado, um mosteiro virtual no meio do caos. Para mim, esta é uma simples questão de lógica: se a natureza do ser humano é uma tensão entre este mundo e a transcendência, tenho de dar igual importância aos dois lados da balança. Analogamente, não sei viver totalmente inserido na cidade nem totalmente alheado dela. Preciso encontrar realização tanto em minhas leituras e reflexões quanto em minhas andanças e ações cidade adentro (e afora). Por isso São Paulo não deu pra mim. Aqui é 8 ou 80. Ou você foge pra dentro de si, ou se joga de peito aberto nas Oscars Freires, Vilas Madalenas e Avenidas Paulistas da vida.

Mas nem sei por que escrevo tudo isso. Um só argumento já seria suficiente para não morar em uma cidade: ter de ficar mais de 40 minutos dentro do carro para sair dela.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s