Vaidade

Como parte de um projeto pessoal de auto-conhecimento, quero deixar aqui uma confissão: acomete-me a vaidade intelectual – em grau leve, se é que isso é desculpa. Quando eu estava na faculdade, levava, para a sala de aula, revistas (Cult, Bravo e revistas acadêmicas [até a Revista da USP, que então, céus!, colecionava]), além de livros, que pegava na biblioteca. É certo que eu lia esses materiais. Em razoável medida, contudo, levava-os para me exibir e “dar exemplo”.

Atualmente, essa minha vaidade se resume basicamente a contar quantos livros leio por ano, e me gabar um pouco.

Em meu favor, tenho a dizer que parei de escrever artigos, por considerar-me desprovido de conhecimentos suficientes para tanto. Cheguei a essa conclusão quando, perto do final de minha curta e precipitada carreira de articulista/ensaísta, comecei a receber pequenas confutações de leitores. Não que estas, em si, fossem muito profundas e preocupantes. É só que, no meio delas, comecei a perceber a presença de conceitos e idéias que eu precisava conhecer e que não conhecia. Os confutantes também não conheciam esses conceitos e essas idéias, embora pensassem que conheciam. Eu me senti, então, um pouco como Sócrates, só que mais ignorante e menos esperançoso quanto à capacidade dos interlocutores. Assim que me fechei em mim mesmo.

Um dia volto.

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