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Archive for December, 2008

Meus amores

Estes são meus dois amores. Uma joga, a outra observa. Uma trabalha, a outra… observa. As duas existem, eu as observo e admiro!

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Um mundo

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Lá fora está fazendo muito calor. Às 10 da manhã eu me cansei disso. Então fechei todas as janelas e liguei todos os aparelhos de ar condicionado da casa. Às vezes tenho a impressão de que o calor é mais do que suficiente para explicar o subdesenvolvimento. Ele provoca um estado de letargia que nos deixa incapacitados para fazer qualquer coisa. O único problema é que a letargia não é a única característica de um cidadão subdesenvolvido. Outras coisas também entram na jogada, como inveja, orgulho de ser ignorante, “esperteza”, sentimento de desvantagem etc etc.

Mas me perdi. Volto ao assunto. A volta do meu bem-estar despertou em mim aquele espírito dos meus melhores momentos. Estar em casa, sentado na frente do computador, um livro ao lado para traduzir, um jazz tocando baixinho; isso é um mundo pra mim. Nesse mundo sou feliz por breves momentos. Tenho o controle de tudo nas mãos. Eu decido com quem me comunicarei ou não. Eu decido que frase ficou boa ou não. Lá fora as pessoas correm loucamente, compram, trabalham, fumam, buzinam, desprezam música boa, levam a sério coisas idiotas, acham que têm razão. Aqui nada disso importa. Aqui elas são os outros e estão muito, muito distantes.

Aliás, o outro é uma das coisas mais incríveis que existem. O outro é um eu e, como tal, se acha o centro do mundo. Para os outros, porém, esse eu é só um outro a mais. Um nada, portanto. Se tivéssemos a mais mínima consciência de nossa condição de “outro”, deveríamos sair por aí pedindo desculpas a todos por existir. Mas é claro que eu não vou fazer isso! Mesmo porque os outros são uns idiotas. Então quem merece minhas desculpas?

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Os clichês de Woody

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Tem gente por aí que não entendeu o Vicky Christina Barcelona. Mais de um amigo meu achou sem graça ou “legalzinho” o último do Allen. Eu, de minha parte, concordo que as ironias anti-intelectualistas do cineasta sempre soaram um pouco hipócritas dado o contexto novaiorquino em que ele construiu sua carreira, às custas dos críticos intelectualóides das revistas norte-americanas. Mas, desde Melinda e Melinda que me divirto muito com as tiradas em que o Woody Allen satiriza os intelectuaizinhos e o beautiful people de Nova York. Parece que todo mundo naquela cidade tem pretensões de profundidade intelectual.

Pois é. E no Vicky a narração em off do cineasta é toda irônica. Quem não vê isso acha que o filme é um grande clichê do início ao fim. Mas o fato é que a vida do novaiorquino típico, na visão do Woody Allen, é um clichê do início ao fim. A vida de todo mundo é assim muitas vezes. Quem nunca pensou na possibilidade de ter feito escolhas erradas na vida, mesmo as outras opções sendo ridículas? A galinha do vizinho sempre parece mais gostosa (ôpa, sem malícia, por favor!). O que o filme mostra é isso: o novaiorquino é uma pessoa clichê, o artista descolado é uma pessoa clichê, todo mundo, enfim. Todo mundo que passa a vida se esforçando para fugir de um tipo humano (qualquer que seja este) transforma-se em um clichê. E outros tipos humanos são clichês sem querer.

Tá bom. Essa visão é meio pós-moderninha desiludida, mas os filmes do Woody Allen nunca foram muito pretensiosos, o que compensa isso de certa forma. É filme de Sessão da Tarde, se a Sessão da Tarde fosse boa.

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La leonilda

La leonilda

Nunca falo de minhas viagens aqui. Está certo que não são tantas. Não sou exatamente um daqueles viajantes inveterados. Gostaria de ser, mas minha $preguiça$ (entenderam?) não permite.

Bem, problemas à parte, meu sentimento quando viajo é de nostalgia de onde nunca estive. Isso eu compartilho com minha mulher. Sempre que conhecemos um lugar legal, imaginamo-nos morando lá. Faço essa observação porque nem todo mundo é assim. Muitas pessoas adoram viajar e sempre o fazem, mas não “merecem” os lugares, por assim dizer. Elas acham tudo lindo e maravilhoso, mas não entendem, não absorvem o espírito dos lugares por onde passam. Isso é bom e ruim para elas. Bom porque não sofrem (como nós sofremos) por não poderem morar em muitos lugares ao mesmo tempo. Ruim porque, bem, acho que não preciso dizer, é uma questão de enriquecimento espiritual.

San Izidro é um daqueles lugares onde eu queria morar por uns tempos. O lugar tem uma alma. Tem cara de lar doce lar. E não é por causa das mansões, mas por causa de uma simplicidade que quebra o luxo como um paradoxo inaceitável para as mentes igualitaristas. Aliás, Buenos Aires é um pouco assim.

Enfim, ali, na estação San Izidro do Tren de la costa, escapamos do shoppingzinho picareta para turistas, irrompemos do outro lado da grade e lá estava o restaurante La leonilda, onde comemos muita carne, papas fritas (caseiras, nada de pré-congelados), vino y helado de dulce de leche! Ah, e para terminar, um cafezinho, tudo incluso por 14 pesos (se hoje estiver custando 28 ainda está barato!).

A propósito, pode clicar na foto que eu deixo. Faz parte do meu serviço de divulgação de uma coisa que eu acho sensacional: “geotagging”, isto é, você pode marcar a localização de suas fotos em um mapa. Adoro passear pelo Google Earth, clicando nas fotos que as pessoas deixam no Panoramio. É como viajar sem sair de casa.

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Back to Christmas

Meu presente de Natal:

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Making off da foto:

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Quem me deu o presente foi a pessoa que eu mais amo neste mundo, então não poderia faltar neste post a pessoa canina que eu mais amo neste mundo.

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Agora há pouco

Fui acometido por um intenso sentimento de felicidade. A culpa foi da minha cadelinha. Ficou tão feliz depois de passear pelas ruas do bairro que, mal chegou em casa, disparou a correr, a língua solta, os olhinhos fumegantes, o bumbum emborcado para pegar impulso.

E São Paulo ficou para trás. Até hoje penso nisso.

Quem pensou também foi a minha mulher. Pensou isso aqui: “Natal em família é um saco. Acho que todo mundo devia passar o Natal com a família dos outros.”

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Alhures

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Estou sempre pensando no aqui e no lá. Esse contraste exerce uma espécie de atração sobre mim. Enquanto estou aqui, penso no lá. Aqui é seguro, mas lá é distante e portanto mágico. Por isso gosto de varandas, porque elas meio que integram as duas coisas, como se fossem o mais próximo que se pode chegar de uma fusão entre lá e aqui. Ah, e também adoro as lentes tele-objetivas, pelo mesmo motivo: o fotógrafo está aqui, mas alcança o lá.

Filosofia barata? Pode ser. Mas os portugueses têm esta outra palavra para lá, ou melhor, para “em outro lugar”, que está no título deste blogue e que sempre achei muito bonita. Acho que o ser humano se caracteriza principalmente pela capacidade de estar alhures.

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