Os clichês de Woody

vicky

Tem gente por aí que não entendeu o Vicky Christina Barcelona. Mais de um amigo meu achou sem graça ou “legalzinho” o último do Allen. Eu, de minha parte, concordo que as ironias anti-intelectualistas do cineasta sempre soaram um pouco hipócritas dado o contexto novaiorquino em que ele construiu sua carreira, às custas dos críticos intelectualóides das revistas norte-americanas. Mas, desde Melinda e Melinda que me divirto muito com as tiradas em que o Woody Allen satiriza os intelectuaizinhos e o beautiful people de Nova York. Parece que todo mundo naquela cidade tem pretensões de profundidade intelectual.

Pois é. E no Vicky a narração em off do cineasta é toda irônica. Quem não vê isso acha que o filme é um grande clichê do início ao fim. Mas o fato é que a vida do novaiorquino típico, na visão do Woody Allen, é um clichê do início ao fim. A vida de todo mundo é assim muitas vezes. Quem nunca pensou na possibilidade de ter feito escolhas erradas na vida, mesmo as outras opções sendo ridículas? A galinha do vizinho sempre parece mais gostosa (ôpa, sem malícia, por favor!). O que o filme mostra é isso: o novaiorquino é uma pessoa clichê, o artista descolado é uma pessoa clichê, todo mundo, enfim. Todo mundo que passa a vida se esforçando para fugir de um tipo humano (qualquer que seja este) transforma-se em um clichê. E outros tipos humanos são clichês sem querer.

Tá bom. Essa visão é meio pós-moderninha desiludida, mas os filmes do Woody Allen nunca foram muito pretensiosos, o que compensa isso de certa forma. É filme de Sessão da Tarde, se a Sessão da Tarde fosse boa.

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