Conteúdo? Mas de que tipo?

Um dia desses li no Twitter de alguém o seguinte: “O Nokia N95 é um celular de quem produz conteúdo. O iPhone é um celular de quem consome conteúdo.”

Tudo bem, mas que tipo de conteúdo, cara pálida? A verdade é que quem consome conteúdo em um iPhone não vai se contentar com o conteúdo produzido por um N95. Quem consome conteúdo em um iPhone consome é Flickr e, no quesito vídeo (que é o único argumento de quem tem um N95), o Youtube, dependendo do vídeo que se assiste, nem fica muito bom num iPhone. Provavelmente o vídeo gravado com um N95 vai ficar ruim num iPhone, porque a tela do iPhone tem resolução demais para esses videozinhos gravados em celular.

Enfim, o proprietário de um iPhone, e de resto aquele de um Mac, é mais exigente com relação a conteúdo. Por exemplo, aquela culturinha de pecezista de baixar vídeo do Youtube para o computador não existe no Mac. Porque o usuário de Mac está acostumado a trabalhar em uma tela de no mínimo 1440×900 pixels, coisa que só agora está começando a virar realidade para o usuário comum de PC. Quem tem uma tela dessas não vai querer baixar aqueles videozinhos de Youtube. Vai querer alta definição. Nem DVD serve direito. O legal mesmo é ligar o computador direto na TV de LCD, via HDMI, para assistir ao último episódio de Lost com resolução Full HD, coisa que só um Sony Vaio – e dos bons – faz.

Então, quando se fala de conteúdo, tem que se ter em vista de que tipo de conteúdo estamos falando. Eu, por exemplo, leio livros inteiros, assisto a episódios inteiros de seriados, vejo shows inteiros, leio posts de blogs e artigos de revista de várias páginas no meu iPhone. Esse tipo de conteúdo não se produz num N95, nem num iPhone, mas em computadores de verdade e câmeras de vídeo de verdade.

A moral da história é que um iPhone deveria mesmo ter câmera de 3 ou 4 megapixels e gravar vídeo. Mas isso não é tão importante assim, e a Apple sabe disso. O mais importante é, como sempre foi, a interface. O vídeo e a resolução fotográfica vêm num update. A interface não. A interface desses celulares sempre foi ruim e vai continuar sendo, porque isso depende de uma visão de usabilidade que os desenvolvedores têm ou não têm.

Um dia desses eu estava numa sala de espera lendo meus feeds de notícias no iPhone. Na minha frente havia um casal. O marido mostrava para a mulher como funcionava o reconhecimento de voz de seu celular. Você registrava, em cada contato da sua agenda, sua voz pronunciando o nome daquela pessoa. Depois você pronunciava o nome e o celular mostrava o contato. E o cara ficou uns 10 minutos clicando em menus, gravando e regravando sua voz até o aparelhinho reconhecer. No final, conseguiu fazer aquilo com 1 contato de sua agenda. Enquanto isso, eu passei o olho em metade das notícias do dia e chequei meus emails. Então pensei, o iPhone é um aparelho discreto e objetivo. É como o Mac em comparação com o Windows. Você não fica perdendo tempo com besteiras. Você usa os recursos todos de verdade, porque eles estão mais ao seu alcance, não estão escondidos atrás de 20 menus.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s