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Archive for March, 2009

Depois que vendi meu apê e investi o dinheiro, passei a entender melhor por que as pessoas não fazem isso. Acho que o brasileiro realmente não tem preparo para esse tipo de empreitada. Simplesmente não existe essa cultura por aqui. E eu, por mais que odeie a culturinha de meu País, herdei a dita cuja. De modo que, desde que fiz a coisa, fui tomado por estados psicológicos contraditórios e múltiplos, como impaciência, frustração, empolgação, espírito de torcida, raiva, tédio, pressa, apatia e desânimo. Também sinto (ainda menos) vontade de trabalhar, por saber que o dinheiro que está lá provavelmente vai render, em 10 ou 15 anos, muito mais que minha mão-de-obra.

Mas não desisti e não desistirei. Tenho 90% de certeza de que em 15 anos (infelizmente, pois não sou egoísta) estarei em melhor situação que 90% das pessoas que conheço. Mas o caminho será duro, pois um investidor “amador” neste País tem de ficar constantemente respondendo às perguntas incrédulas de familiares e amigos, combatendo opiniões contrárias, além de ter que controlar suas próprias emoções e incertezas. Sabe aquela sensação de “ninguém pensa como eu”? Pois é, já estou familiarizado com ela. Chama-se deslocamento cultural. As coisas são assim em todas as esferas de minha vida. Não é fácil lidar com isso. Ainda mais porque, na cabeça dos brasileiros, o único problema realmente sério que alguém pode ter na vida é a falta de bens aqui e agora. Por esse motivo, ninguém se consola com o fato de eu viver de aluguel e ter dinheiro no banco para comprar um apartamento (ainda que minúsculo).

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Bad trip

Meus pensamentos não estão claros. Como pensar? Como ficar em mim, não sair de mim, e ainda assim não deixar as outras pessoas falando sozinhas? Como estar aqui dentro e lá fora. Mergulhar e voltar, 24 vezes por dia. Não, mais, 34. Meu número da sorte é 2. Talvez seja esta a resposta. 2 é o máximo que consigo. Três pessoas já é demais. Eu e três pessoas na minha frente não funciona. Fazer o café da manhã sozinho funciona, come-lo acompanhado.

Estou sobrecarregado de cinismo e ironia. Mas como não ser cínico? Indo embora. Entrando embora. Sempre. 34 vezes por dia. Ninguém por perto senão em doses homeopáticas. Poucas palavras bastam, nada de muito falatório. Um pouco de consumo, um pouco de cultura.

O jornal diz: “Dê uma chance à cultura.” Eu digo a ela: “Cultura, dê uma chance a mim. Não, você não. Você é muito nova. Sim, sim, você aí, a velha decrépita. É você que eu quero.”

De súbito ela passa do meu lado e eu a agarro. Não era a cultura. Não era a velha decrépita. Era só minha cadelinha peluda lambendo meus pés.

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