Bad trip

Meus pensamentos não estão claros. Como pensar? Como ficar em mim, não sair de mim, e ainda assim não deixar as outras pessoas falando sozinhas? Como estar aqui dentro e lá fora. Mergulhar e voltar, 24 vezes por dia. Não, mais, 34. Meu número da sorte é 2. Talvez seja esta a resposta. 2 é o máximo que consigo. Três pessoas já é demais. Eu e três pessoas na minha frente não funciona. Fazer o café da manhã sozinho funciona, come-lo acompanhado.

Estou sobrecarregado de cinismo e ironia. Mas como não ser cínico? Indo embora. Entrando embora. Sempre. 34 vezes por dia. Ninguém por perto senão em doses homeopáticas. Poucas palavras bastam, nada de muito falatório. Um pouco de consumo, um pouco de cultura.

O jornal diz: “Dê uma chance à cultura.” Eu digo a ela: “Cultura, dê uma chance a mim. Não, você não. Você é muito nova. Sim, sim, você aí, a velha decrépita. É você que eu quero.”

De súbito ela passa do meu lado e eu a agarro. Não era a cultura. Não era a velha decrépita. Era só minha cadelinha peluda lambendo meus pés.

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