Conhece-te a ti mesmo


Quantos livros dá para ler de uma vez? Quão desorganizada pode ser uma vida de estudos? Não sei responder a essas perguntas. Só sei que, fora todos esses livros da coluna aí da direita, ainda estou lendo mais uns três.

Mas, como não faz sentido ficar debatendo sobre a bagunça mental de quem quer que seja (muito menos a minha própria), quero dar uma dica e fazer uma reflexão.

A dica: não leiam a Ilíada e a Odisséia de Homero na edição da Ediouro (trad. de Carlos Alberto Nunes). Por anos tive medo desses livros, pois sempre que dava uma passada de olhos num trecho, meus neurônios se contorciam para que eu soubesse do que se estava falando naqueles versos invertidos e reinvertidos até a exaustão. Depois descobri, com a alegria contida e sóbria daquele menininho do Matrix (“instead realize the truth: there is no spoon”), que a edição inglesa, que de tantos leitores fez a felicidade, tem uma outra a sua altura, ou ainda mais alta: esta aqui e esta aqui. E ainda são jeitozinhas de manusear!

A reflexão é a seguinte. Donald Kagan, na aula 1, comenta as duas frases que apareciam na entrada do templo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo” e “Nada em excesso”. Segundo ele, as duas frases juntas significavam algo como: “(…) conhece tuas próprias limitações como mortal falível e então pratique a moderação porque não és divino, mas mortal”. Bem, eu, a partir das coisas que aprendi num certo curso que venho fazendo e de minhas humildes observações existenciais e experiências de vida, ouso tirar uma conclusão bem diversa (embora concorde que a conclusão citada também cabe). Afinal, duas frases assim isoladas podem significar muitas, mas muitas coisas mesmo. Então, continuando, gosto de pensar que as frases significavam o seguinte. Conhece-te a ti mesmo, mas não em excesso. Sabe aquelas pessoas que fazem terapia a vida inteira e terminam mais doidas do que eram antes? Pois é. Os gregos preferiam navegar.

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