História da Grécia

Comecei a acompanhar este curso aqui, ministrado por Donald Kagan. A coisa não é muito espontânea, porque o sujeito fica lendo um texto pré-redigido (isso se chama lecture e é muito comum nos EUA). Mas estou gostando bastante. Tem transcrições e o vídeo (ao menos a versão de Quicktime) tem até legendas em inglês. Já estou comprando os livros da bibliografia também, mas estão demorando uma eternidade para chegar ao Bananão. Pedi um dele há mais de dois meses e ainda não chegou.

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Só 250?

Reparei que até hoje só escrevi 250 posts neste bloguinho aqui. Caramba! Para mim parecia uns 2 mil.

Anyway, hoje assistimos a “Julie e Julia” aqui em casa. Graças a Deus não pagamos ingresso de cinema (não, não vou dizer por quê; vocês sabem, seus sabidinhos baixadores de música…). A película parece um Sex and the City sem os coadjuvantes. Imagine se todas as atrizes daquele seriado atuassem como a Sarah Jessica Parker. Você aguentaria assistir? Bem, a maioria das pessoas já não aguenta mesmo do jeito que é. Nem sei por que eu gosto. Mas gosto. E antes que alguém pergunte, não, eu não sou gay. Está certo que eu não gosto assim… como se fosse uma cantata de Bach… Mas é legalzinho.

De todo modo, o filme me deixou saudoso dos meus gloriosos dias de blogueiro famoso. Ah, que saudades daquelas caixas de comentários que viravam fóruns de discussão de tão povoadas… aqueles chatos me chamando de reacionário, fascista etc etc.

Hoje sou só. Restaram apenas estas teclas aqui na minha frente. Estão iluminadas, pois hoje tenho um Macbook Pro. Mas preferia meu velho G3 bege, com aquele teclado barulhento, aquela ventoinha que mais parecia uma turbina de avião e todos aqueles comentários pululando no meu Samsung Syncmaster de 17 polegadas. Buá!

Bem, chega de nostalgia. Agora é um contra 251.

Aspectos

Nasci em Brasília e aqui morei por 21 anos antes de sair me mudando para tudo quanto é lugar. Agora “voltei”, embora não daquele jeito do Roberto Carlos, que, de frente ao portão, viu o cachorro sorrir latindo e pensou “aqui é meu lugar”. Volto com ressalvas e com projetos de vidas alhures. Sim, “vidas”, porque quando moramos em muitos lugares (até ao mesmo tempo, por exemplo quando temos casas em vários lugares) parece que temos várias vidas.

E hoje, aqui em Brasília, estou morando em outro apartamento, que não aquele onde passei o fim da minha infância e toda a minha adolescência. Só agora percebo conscientemente algo que já percebera de forma inconsciente: o lugar onde se mora determina a maneira se vê uma cidade. Aqui, da janela da cozinha, vejo as pessoas andando no estacionamento ali embaixo, o entra e sai dos carros. Uma mulher costuma aparecer na janela do terceiro andar do prédio da frente com seu cão para apreciar o movimento. Hoje esta cidade para mim é um lugar tranquilo e mais humano. Outrora era um lugar agitado e melancólico, porque tudo o que eu via da janela do meu antigo apartamento (ainda moram lá meus pais) eram carros, já que ele está localizado em frente às duas grandes avenidas-estradas de Brasília. Foi bom morar lá, mas foi diferente, como morar num universo paralelo.

Diante disso eu pensei que ser cigano entre cidades nos faz apreender melhor os diversos aspectos do mundo, assim como ser cigano dentro de uma mesma cidade nos dá uma visão mais exata de como realmente é essa cidade. Se não gostamos de uma cidade, devemos antes pensar se isso não é por causa do lugar onde moramos nela. Hoje, quando digo que uma cidade é “melhor” que outra, digo isso com um conhecimento de causa muito maior, pois aprendi, mudando, a analisar as cidades de diversos ângulos e abrangendo diversas experiências, como ir ao supermercado, estacionar o carro em qualquer lugar, frequentar restaurantes e cafés, ou simplesmente ficar sentado na sala de casa ouvindo sons específicos e típicos.

Ainda bem que, nessas minhas andanças (que estão, espero, apenas começando), encontrei uma companheira que também as aprecia. Quanto mais cidades conhecemos e habitamos, ainda que temporariamente, mais nos unimos. Também ganhamos amigos nesses lugares por onde passamos. Pode-se dizer que fazemos turismo fraterno. Apreciamos uma modalidade peculiar de turismo: sentimos a necessidade de realmente conhecer os lugares, e para isso não basta nos hospedarmos lá por uma semana. Queremos saber como é viver ali. Toda vez que entramos numa cidade interessante, começamos a imaginar toda aquela vida local, todas aquelas pessoas que sempre viveram ali enquanto nós, inocentemente, estávamos tão longe e totalmente ignorantes de tudo aquilo que sempre esteve ali. Imagino todas as pessoas que estão sentadas em alguma calçada de Buenos Aires neste exato momento, comendo um bife de chorizo com papas fritas e ensalada. Isso me deixa louco! Louco não porque eu quero comer o bife (se bem que seria ótimo), mas porque eu queria participar dos momentos do mundo. De todos eles o tempo todo. Eu queria, enfim, morar em todo lugar.

Sei que isso não é possível. Mas é possível perseguir isso como um ideal. E nesse caso, a perseguição seria (será) muito, muito agradável e enriquecedora!