Trinta metros

Estou a trinta metros do mar e chove aos cântaros aqui nesta praia. Meu volume de Proust está retorcido de humidade, mas não ouso reclamar. De resto, a quem o faria? Aos pássaros que migram tranquilamente de um lado a outro, como se o céu não lhes estivesse caindo à cabeça? Aos barcos que, se ontem balançavam por causa do vento, hoje jazem quase inertes numa água mansa que recebe as gotas da chuva como uma mãe recebe os filhos que sempre voltam a casa? Não. Não haveria a quem queixar-me, ainda que o quisesse. Então agradeço. Agradeço a Deus.

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