O descaminho

 

À minha frente está o passado. Sinto-me errado e ao mesmo tempo certo. Meus projetos mais estimados são supostos e são projetos de voltar. Quero voltar para todas as cidades onde morei e até para onde nunca morei. No limite quero voltar para onde nunca estive, simplesmente por saber que lá se vive, se sorri, se é feliz.

Sinto que faço tudo errado porque o certo seria voltar e fazer de novo direito. O certo seria viver todos aqueles momentos de novo porque foram ótimos e eu mesmo assim fugi deles e vim para outro lugar, para outra coisa.

Como ser feliz aqui e agora da mesma maneira que fui lá e ontem? Se as comparações sempre pendem para alhures, algo de errado há. Se as coisas novas só atraem quando exalam um suave aroma de nostalgia e regresso, que se deve fazer?

Um frio no ventre, o peito rijo, as mãos hirtas, penso em tudo que falta e encontro pedaços na memória. Por onde passei fui catando felicidades, mas por que sempre me sinto preso num lugar a que não pertence nenhuma delas? Levá-las comigo? Com certeza. Única certeza.

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