A certeza e os camaradinhas

Revolucionário é aquele camaradinha que não tem dúvidas, que não está em busca de nada. Já achou. E logicamente quer nos brindar com sua maravilhosa descoberta. Quer pô-la em prática para a desgraça de todos.

Claro que isso é teoria. Na prática vocês sabem como é esse povo: podem ser definidos como qualquer coisa, menos como pessoas bem resolvidas.

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Post mortem

“Posto aqui porque recuso-me a morrer”, diz meu blogue. Quero companhia escrita mas não encontro – só política. Lindos dias quando abria meu navegador e saía clicando em cada blogue, cada texto: filosofia, arte, cotidiano, humor. Hoje são só 140 caracteres, muitos links, pouco texto. Até este que vos fala perdeu a vontade de escrever, viciou-se na brevidade da expressão, quase considerando-a uma virtude. De certo que pode ser, mas em certas ocasiões apenas. Nas outras é preciso dizer, falar, verbalizar, derramar essas coisas tão belas chamadas palavras.

A Internet hoje é das redes sociais. Todo mundo juntinho sem estar. Todo mundo se comunicando sem escrever nem falar. Minha opinião é um vídeo do Youtube. A de fulano é uma foto do Flickr. E assim caminha a humanidade em direção à mudez disfarçada de interatividade.

Então escrevo aqui, mesmo que pouco, mesmo que quase nada de interessante. Porque minha vontade é não me perder num mar de links. Minha vontade é conversar, ainda que somente comigo mesmo, manter-me consciente de minha presença, não deixa-la diluir-se em alguma comunidade de bits. Estou nestas, mas estou aqui também. Que fique bem claro!