Campeões da mediocridade

Ler livros traduzidos em português do Brasil é sempre uma diversão. Nossos tradutores, coitados, são pouco mais que meninos esforçados. E nem posso critica-los, tão baixo é o salário deles.

Ou melhor, posso sim. E vou. Veja este trecho de A vida dos grandes compositores, de Harold C. Schonberg, em que se fala de Berlioz (negrito meu): “Embora Berlioz não tenha saído de repertório após sua morte, ele era representado por apenas um punhado de obras e por somente uma de grande escala, a Sympnonie Fantastique. Ele teve alguns campeões, como, por exemplo, Felix Weingarten, mas no todo era uma figura marginal até sua redescoberta após a Segunda Guerra.”

Bem, como o tradutor parece ignorar a acepção correta da palavra “champion” no contexto da frase (difusor, propagandeador, divulgador, defensor), ficamos com uma bela piada: quem será esse Berlioz? Um técnico de futebol do século XIX talvez? Nesse caso o tal do Felix teria ganho um trofeu, ou vários!

O livro está coalhado de ocorrências desse tipo. Diversão garantida para um tradutor como eu.

Mas recomendo a leitura assim mesmo, porque a obra é cativante.

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