Solidão

“(…) é exatamente porque não há solidão que dizes que  solidão. Imagina que eras o único homem no universo. Imaginas que nascias de uma árvore, ou antes, porque eu quero pôr a hipótese de que não há árvores, nem astros, nem nada com que te confrontes: supõe que o Universo é só o vazio e que tu nascias no meio desse vazio, sem nada para te confrontares. Como dizeres ‘eu estou sozinho’? Para pensares em ‘eu’ e em ‘sozinho’ tinhas de pensar em ‘tu’ e em ‘companhia’. Só há solidão porque vivemos com os outros…”

[Vergilio Ferreira, Estrela Polar]

Sussurro

Ironicamente, meu blogue se tornou o lugar mais privativo onde eu posso escrever na Internet. Por mais absurdo que isso pareça, sinto vontade de escrever para alguém ler, mas não quero que ninguém leia. Então posto aqui e não no Facebook. Aqui é minha casa. Canso-me da sociedade virtual das redes e então escrevo aqui, neste lugar aberto, sujeito aos radares do Google, mas onde ninguém me achará, pois ninguém procurará.

Vítima, eu? Não. Só quero falar baixinho, sem aparecer no mural de ninguém.

Falar sobre o quê? Nada.

Felizes em Jesus Cristo

Feliz Natal é o que se diz nesta época do ano. Outro dia li o seguinte: “Feliz Natal. Que todos os seus desejos se realizem.” Bem, o que dizer diante disso? No mínimo, que a coisa não é bem por aí. “Feliz Natal” não é um voto de alguém desejando que sejamos felizes e tenhamos nossos desejos atendidos. Isso se aplica ao Ano Novo, mas não ao Natal. São Nicolau dava “presentes”, mas aos necessitados e não aos desejosos. Centenas de anos depois ele virou “Papai Noel”, um cara legal que atende aos pedidos das pessoas de classe média alta que frequentam os shoppings e assim as “faz felizes”. Mas deixa pra lá…

Enfim, o que quer dizer “Feliz Natal”? Quer dizer que devemos estar felizes neste dia, porque Jesus Cristo nasceu. Seu nascimento significa que Deus nos perdoou o pecado original e reabriu para nós as portas do Paraíso, segundo somos informados por este hino cristão:

“Come, let us greatly rejoice in the Lord as we tell of this present mystery. The middle wall of partition has been destroyed; the flaming sword turns back, the cherubim with- draw from the tree of life, and I partake of the delight of Paradise from which I was cast out through disobedience. For the express Image of the Father, the Imprint of His eternity, takes the form of a servant, and without undergoing change He comes forth from a Mother who knew not wedlock. For what He was, He has remained, true God: and what He was not, He has taken upon himself, becoming man through love for mankind. Unto Him let us cry aloud: God born of a Virgin, have mercy upon us!”

A expressão mais adequada seria algo como: “Alegremo-nos no Natal”.

Desculpem-me por não ter traduzido o hino acima. Não tive coragem, de tão belo que o achei. Mas traduzi dois outros hinos de louvor ao nascimento de Cristo:

Ó Senhor, diante de Teu nascimento as hostes celestes, contemplando com perplexidade tal mistério, maravilharam-se: pois Tu, que adornaste de estrelas o firmamento do céu, te regozijaste de nascer na carne de uma criança. Tu, que seguraste na palma da mão todos os confins da terra, te puseste deitado numa manjedoura de feras estultas. Ao dispensar de tal modo a Tua graça, fizeste-nos conhecer Tua compaixão, ó Cristo, e Tua grande misericórdia. Glória a Ti!

Hoje é o dia do nascimento de Cristo do ventre da Virgem em Belém. Hoje principia-se a existência daquele que não conhece princípio ou fim, e assim o Verbo se faz carne. As forças do céu alegram-se profundamente e a terra pelos homens se põe em gratidão. Os Reis Magos trazem presentes, os pastores proclamam a boa-nova e nós, em lágrimas, clamamos sem cessar: Glória a Deus nas alturas, paz na terra e boa vontade entre os homens!

Aqui está o segundo dos dois hinos acima, cantado em inglês (o que aliás prova que é possível cantar em uma língua nativa um hino tradicional, mantendo-se sua beleza original):

Então, regozijemo-nos (sejamos felizes) neste dia santificado e, assim, tenhamos um Feliz Natal!