There were always men looking for jobs in America. There were always all these usable bodies. And I wanted to be a writer. Almost everybody was a writer. Not everybody thought they could be a dentist or an automobile mechanic but everybody knew they could be a writer. Of those fifty guys in the room, probably fifteen of them thought they were writers. Almost everybody used words and could write them down, i.e., almost everybody could be a writer. But most men, fortunately, aren’t writers, or even cab drivers, and some men – many men – unfortunately aren’t anything.

Charles Bukowski

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Filho da P.

ruínas

 

Sou um filho de Brasília no entre ditaduras. Minhas lembranças são formadas basicamente por prédios públicos desertos nos fins de semana, caminhadas e pedaladas numa cidade deserta, árvores secas, fórmulas matemáticas, domingos de crepúsculo na janela do meu quarto com Dire Straits e Legião ao fundo, férias em planetas distantes.

Brasília hoje é outra coisa. Toda cidade em que se nasceu torna-se outra coisa, mas Brasília é diferente. Brasília já existia igual a hoje, mas as pessoas não estavam ali. Chegaram na época do Lula e nunca mais foram embora. Hoje se acumulam aos milhares e a cidade perdeu sua alma de abandono. Os prédios continuam estragados, as quadras poliesportivas continuam inutilizáveis, mas as ruas estão cheias de carros. Ruínas habitadas não fazem sentido. Ao menos não para mim. Antes Brasília era coerente, hoje é um ontem que virou amanhã e que não me atrai. Prefiro um hippie decadente vendendo colares do que um comunista trabalhador e cervejeiro que ama futebol e compra SUVs a prazo. Chamem-me de nostálgico à vontade. Sinto saudades das ruínas da minha infância, dos bonecos de Playmobil, dos parquinhos de areia onde as crianças brincavam, das mães chamando os filhos do sexto andar dos prédios e das imensidões desertas.

Sobretudo amo as imensidões desertas. A Terra desolada é mais humana que os botecos com cheiro de cerveja onde se empilham os funcionários públicos no happy hour pós-Lula.

Rochinha

Revista Infomoney

 

 

Quando eu morava em Sampa, adorava tomar um picolé do Rochinha na praia de Juqueí. Depois os picolés chegaram à capital e eu ia com minha mulher a uma lanchonete na Rua Mourato Coelho, onde tomávamos um picolé de abacate ou coco queimado. Hoje achei esta reportagem na revista Infomoney. Muito legal.