Resuminho

O homem moderno vê o medo e a culpa como obstáculos (donde se verifica que sua ideia de felicidade está no controle e no poder). A culpa ele quer abolir, negando sua existência e, consequentemente, atribuindo a si próprio apenas direitos e nenhum dever (como se isso fosse possível numa sociedade). O medo ele quer abolir erigindo o Estado e a ciência como garantidores de uma segurança e de um bem-estar sem limites, que o tornem um sentimento inútil.

Mas como, para realizar esse projeto, o homem tem de dar ao Estado e à ciência total controle e poder sobre ele, resta-lhe, para se dizer feliz, fingir hipocritamente que sua submissão e seu medo em relação a esses dois entes que o dominam e controlam se dá por livre e espontânea vontade, sem violência e sem medo.

Como não conseguimos fingir para nós mesmos e sermos racionais e autoconscientes ao mesmo tempo, resta uma única solução: o esvaziamento da razão e a transformação do homem num autômato auto-enganante pleno de falsa liberdade.

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