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Archive for May, 2014

A filosofia de há cinquenta anos aspirava, quando muito, a ser um complemento das ciências particulares. Quando estas chegavam ao ponto em que já não podiam obter verdades claras, encarregavam à pobre filosofia, espécie de “criada para todos os serviços”, para que completasse a faina com algumas reverendas vaguezas. O homem se instalava dentro da física e quando esta concluía prosseguia o filósofo todo ereto, numa espécie de movimento de inércia, usando para explicar o que restava uma espécie de física extramuros. Esta física além da física era a metafísica — portanto, uma física fora de si.

José Ortega y Gasset, em “Que é filosofia”, referindo-se a coisas como o mecanicismo e a filosofia de Russel e Whitehead.

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(Em: Que é filosofia)

 

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Os problemas

Quem tem vocação para a filosofia prefere o problema à solução. Não é que não reconheça a ação, a práxis, apenas tem consciência de que, na grande maioria das vezes em que nos vemos diante de situações difíceis na vida, não somos sequer capazes de formular que problema está a nos afetar; e neste caso, quando encontramos uma solução (e forçosamente a encontramos, ou assim pensamos), esta não se aplica ao problema que nos afeta, mas a outro.

Uma das piores coisas que podem acontecer a um ser humano é encontrar soluções erradas por partir de problemas fictícios.

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São muito comuns os casos de comportamento mundano entre os monges de uma congregação cristã. Isso aconteceu em vários monastérios ao longo da história do cristianismo. Ao contrário do que se pode pensar, não se trata de algo que manche a biografia de nenhum santo que tenha sido membro, fundador ou “diretor” de uma ordem ou de um convento, mas antes uma demonstração cabal da impiedade do ser humano. Os ortodoxos orientais freqüentemente usam esses exemplos como argumento a favor dos santos, pois demonstram a peculiaridade destes, que é a de manterem-se puros em um mundo cheio de gente ímpia até mesmo dentro da Igreja. Sobre este tema, entre outros (mormente o dos “loucos em Cristo”), vejam este lindo filme russo:

 

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Desgraçados

Cá estou eu novamente fulo da vida, desta vez com a notícia do controle da mídia incluído no plano de governo do PT. Cheguei a sentir-me culpado por deixar-me afetar, mas logo apaguei a culpa, que afinal indignação é uma coisa que a gente mantém sob controle, mas não elimina de todo; sempre resta aquela vontade de mandar à merda essa corja de filhos da puta que tomou conta do Brasil. Acho que esquerdista, e petista em particular, é uma gentinha que existe para lembrar a todos os cristãos que aquele ar de vingança que perpassa o Antigo Testamento, aquelas imagens de fiéis se alegrando ao ver pecadores queimando no fogo eterno do Inferno, tudo isso não é tão cruel assim, sempre há um fundo de verdade – ou até mesmo uma superfície. Não há justiça sem que alguém pague por seus pecados. A eternidade de certo terá seu preço para muitos.

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Nunca fui muito de temer as dificuldades do conhecimento. Diante de teorias e calhamaços, sempre fui valente. Época houve, até mesmo, em que imaginava para mim um futuro brilhante como intelectual e escritor. Antes mesmo do momento mais recomendável, pus-me a escrever uns artigos, uns textos pretensiosos, umas resenhas de livros que não li, umas reflexões de gente grande; mas a inspiração logo se esgotou.

Aos poucos, essa atitude indômita foi-se-me afigurando um tanto ingênua. Hoje, pela primeira vez, penso no trabalho de empreender um estudo sério sobre algo e me sinto despreparado e incapaz.

Ao mesmo tempo, penso cá comigo que sempre me vi assim perante tudo: considero fáceis as empresas, até que nelas penetro. Só então é que lhes descubro as exigências de dedicação e disciplina, e percebo que não eram assim tão simples. Talvez por isso eu nunca tenha perseverado em coisa alguma, exceto no perambular, no errar entre cidades e paixões vocacionais.

De certo modo pressinto estar diante da última chance de perseverar em algo. Estimo a leitura e o estudo no mais alto grau que, a meu ver pelo menos, pode-se estimar alguma atividade. A complexidade dos empreendimentos é uma fatalidade da vida, intensificada pelas dificuldades crônicas da sociedade brasileira. Tudo isso redunda na minha condição, que devo aceitar e viver. Se eu perseverar e falhar, se forem medíocres minhas contribuições ao conhecimento, ao menos terei realmente descoberto – e não somente imaginado – minha pobre limitação. Se eu passar vergonha, consolar-me-ei com o pensamento de que vergonha mesmo seria nunca ter feito realmente nada.

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A física

José Ortega y Gasset, em “Que é filosofia”, comfirmando o que Olavo de Carvalho não se cansa de afirmar, ou antes relembrar:
 
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Em outra parte:
 
[A física,] longe de representar a exemplaridade e o protótipo do conhecer é, em rigor, uma espécie inferior de teoria, distante do objeto que visa penetrar.

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