The Modernist City

Achei um livro para exorcizar meu passado, trabalhar minha relação de amor e ódio com a cidade onde nasci: amor porque ali nasci e ódio porque… bem, porque é uma bosta mesmo.

Chama-se “The Modernist City: An Anthropological Critique of Brasília”. A primeira parte se intitula, o que é maravilhosamente reconfortante, “The Myth of the Concrete”! E imediatamente me vêm à cabeça todos aqueles fins de semana em que eu pedalava pela cidade erma, qual fantasma perdido de Homero, a buscar sinais de vida entre ruínas do futuro, ou marcas de alegria entre manchas de mofo nos concretos quebrados.

Ali aprendi a falar sozinho.

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Nossos irmãos ali da ponta

E eis que o Uruguai nos brinda com o venturoso advento do Estado traficante! Ó portentoso varão progressista das Américas! Orgulho dos navegantes que outrora, transcendendo os mares de oeste, quiçá enfrentando criaturas aquáticas indômitas e tempestades negramente mortíferas, cá vieram parar.

Baforenta criatura pós-moderna, Leviatã de rasta! Tuas nuvens verde-musgo de herbáceo aroma hão de um dia cobrir as américas de sul a norte, inebriando as populações com a doce e acre música das esferas queimadas. Teus braços peludos de maconheiro piolhento hão de dançar loucamente pelas praias latinas, latrinas, ladinas!

Ó Bob Marley lavrado em cartório, autenticado e com firma reconhecida, tuas tetas burocratas de verde resplendência verterão o leite de soja com mate que alimentará as gerações futuras de eleitores, pigarreantes beneficiários do bem-estar social, que entre tosses e pingadas de colírio escolherão nossos enrolados e apertados governantes!