Marques Rebelo, o Eduardo

Eis um bom artigo sobre Marques Rebelo, por Sergio Augusto. Em outro lugar, lê-se:

Muitos dos personagens são inspirados em escritores, críticos literários, pintores e até jornalistas. Quase todos podem ser identificados por quem leu o citado livro de Luciano Trigo. Este afirma que o próprio Marques Rebelo, em carta ao Sr. Paulo Mendes de Almeida (que Trigo não informa de quem se trata), confirmou o fato e deu nome aos bois. Como curiosidade, eis alguns dos retratados, com o nome do personagem em parêntese. Jorge Amado (Antenor Palmeiro), Tristão de Athayde (Martins Procópio), Augusto Frederico Schmidt (Altamirano Azevedo), José Lins do Rego (Júlio Melo), Álvaro Lins (Lucas Barros), Rachel de Queiroz (Débora Feijó), Carlos Lacerda (Julião Tavares) e o editor José Olympio (Vasco Araújo). Manuel Bandeira e Gilberto Freyre não foram nominados, sendo apresentados, respectivamente, por “o poeta” e “o famoso sociólogo”, este sempre dizendo coisas óbvias. Já Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade aparecem com seus próprios nomes e sempre elogiados por um ou outro personagem, como Joaquim Borba (o escritor Cyro dos Anjos). Trigo acrescenta que, embora na carta Marques Rebelo tenha se escusado de informar a fonte de outros personagens, pessoas que viveram na época em que transcorre a ação dos 3 romances conseguiram identicar Guimarães Rosa no “afetado escritor-diplomata Magalhães Braga” e o pintor e capista Santa Rosa no “mulatófilo Mário Mora”.

Temos aqui toda uma época que se esqueceu e em que precisamos mergulhar urgentemente para salvar a cultura nacional.

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De literatura

Literatura, para mim, era secundário uns anos atrás, até mesmo sem graça. Talvez porque a curiosidade, e sobretudo a certeza juvenil de poder achar respostas decisivas, atraíam-me às teorias. Hoje não posso dizer que eu seja já velho de modo algum, mas já sou gnosiologicamente mais calmo. Por isso, parece-me, a literatura tem-se tornado quase um vício, no mínimo uma necessidade premente. Sinto que expressar-me e empatizar-me é mais importante que descobrir verdades, ou pelo menos anterior.