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Archive for August, 2014

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Quanto tempo leva desde que um sujeito se converte até que ele se transforme em um autômato idiotizado a buscar obsessivamente uma impossível coerência entre sua vida e as encíclicas papais? Qual é o caminho que leva a essa postura? Quais são as causas dessa pauperização do sentimento católico? Por que isso não parece acontecer com mulheres na mesma proporção que com homens?

Além disso, adianta estudar profundamente em que medida a Igreja (entendida no sentido mais abrangente e espiritual, não como instituição, e muito menos como instituição moderna) exige ou espera concordância entre os documentos não-dogmáticos da Santa Sé e os atos, as palavras e até as análises sociológicas, históricas e filosóficas de um católico? Quando pergunto se “adianta”, quero indagar com isso se a impugnação dessa postura não estaria em um plano mais concreto, como o das obras praticadas pelo tipo humano em questão; isto é, em vez de entrar em questões espinhosas como a da abrangência da infalibilidade do Papa e do Magistério, não seria mais viável e eficaz analisar se esse tipo – que se poderia denominar “legalista eclesial” ou, simplesmente, fariseu – produz amor ou ódio com seus atos, julgamentos e censuras?

Outro problema: em que medida uma filosofia, ou um conjunto qualquer de interpretações sociológicas, históricas, psicológicas etc, de um indivíduo podem ser julgados coerentes ou não com encíclicas e com normas do direito canônico? Essa exigência me parece implicar uma limitação metodológica e até ontológica das ciências sociais. A limitação, em si, não traz nenhum problema. Mas advinda da Igreja, pressupõe que esta, em suas disposições escritas já existentes, abrange a totalidade da realidade, ou seja, todo o mundo das possibilidades. Se assim fosse, não haveria sentido em dizer que a Igreja é o corpo de Cristo na terra. Nesse caso ela seria a própria Cabeça, o próprio Deus, e não “na terra”, mas em todo o lugar e para além (pois não estaria sujeita às limitações intrínsecas que a realidade impõe ao conhecimento).

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Fonte: Hitória do Brasil, de Pedro Calmon, Vol. 2, p. 468.

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Perdão

Uma das coisas mais importantes e grandiosas que aprendi com meus pais foi a perdoar. E aprendi com o exemplo, apenas, porque no discurso parecia coisa diversa. Todos nós lá “em casa” sempre tivemos o hábito de criticar as pessoas, de apontar entre nós o que elas faziam de errado conosco e com os outros, mas o curioso é que o rancor nunca se enraizava em nós, em mim. Sempre reencontrávamos com grande prazer os parentes e amigos, conversando e rindo com quem parecíamos antipatizar em palavras quando distantes de nós.

Lembrando isso tudo hoje, percebo como o exemplo é mais importante que a “pregação”. Meus pais, praticamente ateus declarados, são uns corações-moles, sempre empatizando com os erros dos outros e preocupando-se com os problemas alheios, ao ponto até de pôr em segundo plano os seus próprios e de fugir do convívio social para menos sofrer com os padecimentos dos outros. Que irônicos são os caminhos de Deus: ensinar o perdão por meio dos “ímpios” – em aparência, daí as aspas. O que, sim, não vem nunca entre aspas é o amor!

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