Arquitetura?

Transcrevo aqui a resposta que dei a um sujeitinho que apareceu no espaço de comentários de um post da minha mulher, insinuando que ela tinha preconceito contra formas arquitetônicas inovadoras, pois estava presa ao paradigma das “casinhas de janela quadrada e telhadinho de lajota”.

Essas “casinhas de janela quadrada e telhadinho de lajota” são o resultado de milênios de arquitetura vernacular. Ao longo de muitos séculos, o homem foi aperfeiçoando e simplificando as técnicas de construção, até chegar a formas mais simples, funcionais e com mais conforto térmico-ambiental. Aí, em algum ponto da modernidade, toda essa tradição começou a ser tratada com total desrespeito. O fenômeno teve o seu ápice com a arquitetura modernista, um movimento formado, em sua grande maioria, por pessoas ignorantes e despreparadas, sem conhecimento algum de engenharia e técnicas de construção tradicionais e populares; pessoas que, no entanto, se sentiam (e se sentem) no direito de modificar toda a paisagem urbana do mundo segundo suas próprias convicções. Grandes exemplos disso são o Rio de Janeiro e São Paulo, cujas paisagens urbanas foram totalmente devastadas pelo modernismo, com seus prismas de concreto e suas pavimentações áridas, para cuja construção foram derrubadas milhares de árvores que antes se integravam à cidade. Hoje, o que temos são cidades completamente inóspitas, desagradáveis e feias. Mesmo os representantes mais ilustres do modernismo, como Niemeyer, construíram edifícios sem qualquer tipo de conforto térmico e sonoro, que depois tiveram de ser reformados para que as pessoas pudessem freqüentá-los. Os poucos arquitetos e urbanistas que prestam no modernismo e nessas outras escolas contemporâneas são desconhecidos e até por vezes têm seus projetos confundidos com os de profissionais mais “comerciais”. Isso sem falar no desprezo que os arquitetos mais competentes têm pela arquitetura mais comercial, recusando-se, por princípio (e, por que não dizer, por ideologia), a participar da construção de prédios residenciais, deixando esta área nas mãos de amadores, o que contribui ainda mais para a deformação da paisagem urbana.

Ah, e por fim há o problema da engenharia social (estatal ou não) por meio da arquitetura e do urbanismo, que é todo um outro tema.

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