Da impossibilidade da democracia suprema?

Parece-me que a democracia – pelo menos nos moldes modernos – depende daquilo que Olavo de Carvalho define, referindo-se ao iluminismo kantiano, como uma “situação hipotética de universal erudição”, em que todas as pessoas (ou ao menos uma grande maioria delas) gozem de maturidade intelectual e, portanto, tenham a capacidade de fazer as escolhas mais acertadas no que diz respeito à organização da ordem sócio-política. Em outras palavras, a democracia depende, em última instância, de uma impossibilidade pura e simples. Portanto está fadada, na melhor das hipóteses, a funcionar mal e porcamente, a não ser que haja algum princípio de ordem universal ou individual que se sobreponha a ela de maneira bem patente e que não dependa também, por sua vez, de uma impossibilidade.