Cobra de orelha

Na minha infância, eu e minha família viajávamos muito de carro – meu pai sempre foi meio “bandeirante”; até hoje reconhece o nome de qualquer cidade que alguém mencione e sabe dizer algo sobre ela. Já minha mãe sempre teve uma personalidade mais, digamos, crítica. Então, quando passávamos por alguma daquelas cidadezinhas mineiras bucólicas de beira de estrada, com uma igrejinha no alto, meu pai admirava a vista e dizia algo para ressaltar como era pitoresco aquele cenário, enquanto minha mãe costumava dizer algo assim: “A gente olha de longe e vê essa cidadezinha tão bonitinha e bucólica, mas ali dentro só tem cobra de orelha.”

“Cobra de orelha” são aquelas titias fofoqueiras, mexeriqueiras, de interior!

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