Do caráter potencialmente desonesto da tradução

O brasileiro ainda não aprendeu que tradução não é coisa para amadores. As editoras não costumam publicar seus livros em papel higiênico para economizar, mas na hora de contratar tradutores, sucumbem ao papel higiênico impalpável também definível como, digamos, “tradutor barato”. Senão, vejamos.

Original em inglês:

english

Tradução brasileira, na qual não se atina com o fato de que “rank and file” é uma expressão, e que significa os membros comuns de uma organização, por contraste com os seus líderes:

IMG_1427.PNG

Tradução espanhola, em que não se traduz a expressão (talvez por se entender que seria redundante), mas que mesmo assim está correta:

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A moral da história é que a tradução é um pouco como a medicina: a incompetência ou o amadorismo do “profissional” pode converter-se em crime. A diferença é que, no crime da medicina, a vítima sofre um dano físico; enquanto no da tradução, o dano é intelectual. Ambos, no entanto, são morais – e portanto até passíveis de ação judicial. Se eu, como leitor, quisesse processar a editora, provavelmente venceria a ação.

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