Dar a outra face. Mas quando?

Há uma experiência que eu tive na segunda série e que me marcou profundamente. O evento em si é uma insignificância, mas acho que deve representar algo de importante eticamente, porque eu nunca mais o esqueci.

Estava sentado na minha carteira, quando o menino atrás de mim me deu um cascudo. Então eu virei e reclamei para ele. Devo ter dito algo como: “Porra, cara!” Nisso a professora nos viu e passou um sabão em nós dois. Eu reclamei com ela, dizendo que ele é quem tinha começado. Ela nem me ouviu e mandou nós dois pararmos com isso. Restou-me essa eterna impressão de injustiça na alma.

Parece-me que a “retribuição” (é assim que se chamava o revide antigamente) ficou estigmatizada pela cultura ocidental, provavelmente por causa do cristianismo, que nos ensina a “dar a outra face” em vez de revidar. Mas deve haver algo de justo no revide. No mínimo, ele é bem mais perdoável que a agressão. O direito reconhece isso. Por que a educação – e a sociedade em geral- também não deveriam reconhecer?

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