Aparição de Vergílio

Terminei de ler Aparição, de Vergílio Ferreira. É curioso ver as avaliações do livro no Goodreads. Vão desde de uma única estrela – e uma acusação de excessiva pretensão da parte do autor – até as cinco estrelas, merecidas na minha humilde opinião, mas nem sempre concedidas pelos motivos mais acertados.

É verdade que Vergílio Ferreira afirma lá um seu existencialismo, um ateísmo rude e naturalista, mas o faz de pés no chão, de coração, sinceramente. Admite a possibilidade de estar errado, de até ser quiçá um imbecil, um tolo equivocado. Várias passagens comprovam esse fato, como esta, em que ele começa afirmando uma certeza e termina quase mesmo rechaçando-a:

“Tomás estará além como tu estás aquém de toda a minha angústia. Mas um e outro vos ordenais numa linha de eficácia. Tomás é inverosímil. Tu repugnas-me, pobre tonto – e todavia intrigas-me e quase me perturbas de inquietação, sei lá até se de remorso.”

O nome disso é autenticidade, e é lindo, como linda é a prosa do autor, muito, muito linda.

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