Desrealidade

Quando eu estava viajando, vi no avião um carinha rolando a timeline de seu Facebook e posso afirmar sem medo: o brasileiro padrão de classe média vive num universo paralelo ao da política brasileira, e o único contato que ele tem com esta na Internet é via Folha de S. Paulo, G1 e demais portais da grande mídia. É uma coisa triste de ver: fotos e mais fotos de selfies e grupos de amigos, entremeadas de notícias da Folha e afins. Não alimentem muitas esperanças. Na verdade, tenho pensado muito é na falta de sentido do voto direto. De que serve o cidadão votar diretamente em seus governantes, se o único dia em que ele pensa em política é o dia da votação, sendo indireto todo o seu contato ulterior com o assunto? Um camponês medieval devia ter mais noção de quem eram seus governantes do que um cidadão latino-americano médio. Ao menos aquele sofria, enquanto este alegra-se, alegra-se e alegra-se sem parar, sorvendo fotos de praia e baladinhas como quem cheira carreirinhas de cocaína por todos os orifícios possíveis e impossíveis. Sabe quando o brasileiro vai enxergar seu próprio país? No mesmo momento em que os judeus alemães enxergaram sua morte iminente. Ou até depois, quando já estiver sei lá onde – porque me falta o conhecimento teológico necessário para saber onde vai parar o falso-inocente, depois que morre.

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